Truculência da polícia faz black blocs ganharem força, diz pesquisador

Por Clarice Sá - iG São Paulo | - Atualizada às

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Para Rafael Alcadipani, da FGV, ação dos manifestantes encapuzados deve ficar mais intensa em novos protestos

Glaucon Fernandes/Futura Press
Black blocs protestam no Rio de Janeiro

A atuação dos black blocs nos protestos do Rio de Janeiro e de São Paulo nesta segunda-feira (7) foi a mais violenta desde as passeatas de junho e tende a se intensificar, na avaliação de Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que conduz uma pesquisa sobre a série de manifestações que tomaram as ruas do País este ano.

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"O que aconteceu ontem no Rio de Janeiro e em São Paulo foi um recrudescimento da forma deles atuarem. Eles foram mais preparados para o conflito. Havia pessoas com coquetel molotov, marreta, uma série de coisas. E essa tendência do black bloc sair para a violência simbólica, atacar símbolos do capitalismo, começar a ficar mais agressivo já se demonstrava no 7 de setembro", afirma Alcadipani.

Na noite desta segunda, no Rio, eles entraram em confronto com policiais que estavam dentro da Câmara Municipal. Picharam o muro, forçaram a entrada lateral, quebraram vidraças do prédio, e lançaram fogos de artifício nas entradas do prédio. Como resposta, receberam bombas e balas de borracha.

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Veja abaixo imagens do protesto desta segunda-feira:

Estudantes da USP organizaram um protesto em apoio aos professores grevistas do RJ. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressNa região do centro, PM e manifestantes entraram em confronto e lixos foram queimados. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressBlack Blocs teriam atirado bombas contra PMs que acompanhavam ato. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressA PM reagiu e bancos foram depredados na República. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressManifestantes usaram coquetel molotov para responder às bombas da PM. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressEstudantes foram revistados após a confusão. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressImagem mostra uma pessoa ferida na confusão em SP. Foto: Gabriela Bilo/Futura Press


Alcadipani atribui a ação mais intensa do grupo a uma resposta à atuação da força policial. "Se você analisar, os black blocs estavam meio fora das ruas do Rio de Janeiro, mas eles voltaram depois da violência da PM contra os professores. A convocação para os protestos foi para defender os professores", diz o pesquisador.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo contesta a afirmação do pesquisador de que os atos de vandalismo sejam uma resposta à violência policial. "As polícias de São Paulo têm trabalhado para garantir o livre direito à manifestação e agirão para impedir a prática de crimes", diz a nota.

Na semana passada, professores foram duramente reprimidos durante manifestação no centro do Rio. Eles protestavam contra o plano de cargos e salários que estava em votação e foi aprovado pela Câmara. O secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, reconheceu que houve excesso por parte da PM.

A tentativa de defesa dos professores, segundo o pesquisador, pode explicar essa simpatia maior que alguns grupos começam a ter pelos black blocs. A coordenadora Sindicato dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro (Sepe), Ivanete Conceição, afirmou na semana passada que o grupo passou a ganhar apoio de manifestantes que os viam com desconfiança. "Eles fazem parte do grupo. Eles são manifestantes também e usam a violência como estratégia", diz Alcadipani.

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