Para Rafael Alcadipani, da FGV, ação dos manifestantes encapuzados deve ficar mais intensa em novos protestos

Black blocs protestam no Rio de Janeiro
Glaucon Fernandes/Futura Press
Black blocs protestam no Rio de Janeiro

A atuação dos black blocs nos protestos do Rio de Janeiro e de São Paulo nesta segunda-feira (7) foi a mais violenta desde as passeatas de junho e tende a se intensificar, na avaliação de Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que conduz uma pesquisa sobre a série de manifestações que tomaram as ruas do País este ano.

Entenda o grupo: a pós protestos, Black Blocs chegam à 2ª geração no Brasil

"O que aconteceu ontem no Rio de Janeiro e em São Paulo foi um recrudescimento da forma deles atuarem. Eles foram mais preparados para o conflito. Havia pessoas com coquetel molotov, marreta, uma série de coisas. E essa tendência do black bloc sair para a violência simbólica, atacar símbolos do capitalismo, começar a ficar mais agressivo já se demonstrava no 7 de setembro", afirma Alcadipani.

Na noite desta segunda, no Rio, eles entraram em confronto com policiais que estavam dentro da Câmara Municipal. Picharam o muro, forçaram a entrada lateral, quebraram vidraças do prédio, e lançaram fogos de artifício nas entradas do prédio. Como resposta, receberam bombas e balas de borracha.

Mais:
Black blocs cativam e assustam manifestantes mundo afora
PM e black blocs entram em confronto nas proximidades da Câmara

Veja abaixo imagens do protesto desta segunda-feira:


Alcadipani atribui a ação mais intensa do grupo a uma resposta à atuação da força policial. "Se você analisar, os black blocs estavam meio fora das ruas do Rio de Janeiro, mas eles voltaram depois da violência da PM contra os professores. A convocação para os protestos foi para defender os professores", diz o pesquisador.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo contesta a afirmação do pesquisador de que os atos de vandalismo sejam uma resposta à violência policial. "As polícias de São Paulo têm trabalhado para garantir o livre direito à manifestação e agirão para impedir a prática de crimes", diz a nota.

Na semana passada, professores foram duramente reprimidos durante manifestação no centro do Rio. Eles protestavam contra o plano de cargos e salários que estava em votação e foi aprovado pela Câmara. O secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, reconheceu que houve excesso por parte da PM.

A tentativa de defesa dos professores, segundo o pesquisador, pode explicar essa simpatia maior que alguns grupos começam a ter pelos black blocs. A coordenadora Sindicato dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro (Sepe), Ivanete Conceição, afirmou na semana passada que o grupo passou a ganhar apoio de manifestantes que os viam com desconfiança. "Eles fazem parte do grupo. Eles são manifestantes também e usam a violência como estratégia", diz Alcadipani.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.