Roubo milionário em Cumbica revela esquema frágil de segurança nos aeroportos

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo | - Atualizada às

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Polícia tem área da atuação restrita, cabendo à segurança privada a proteção da carga transportada nos terminais

Dez homens fortemente armados passaram pela Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Federal antes de deixar para trás centenas de seguranças do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, e render oito vigilantes privados da TAM para levar 59 caixas com tablets avaliados em R$ 1,8 milhão, segundo a 3ª Delegacia de Polícia de Guarulhos.

O roubo: Quadrilha invade Cumbica e rouba carga avaliada em R$ 1,8 milhão

Edu Silva/Futura Press
Polícia Civil investiga o crime. Até o momento, ninguém foi preso

O roubo milionário no aeroporto mais importante do Brasil na noite do último domingo (29) revela a fragilidade do esquema de segurança montado nesses complexos, segundo especialistas ouvidos pelo iG.

“Em 2011, levaram a bolsa da minha esposa no terminal de Guarulhos. Quando fui ao posto policial relatar o furto, ouvi que seria difícil investigar porque faltavam câmeras de segurança”, relembra o presidente da Associação Nacional em Defesa dos Direitos dos Passageiros do Transporte Aéreo (Andep), Claúdio Candiota. “Em qualquer aeroporto nos Estados Unidos a segurança é muito mais rígida. Até a placa do carro é fotografada ao estacionar no aeroporto. Já aqui, falta gente.”

O esquema de proteção em Cumbica, como é conhecido o aeroporto de Guarulhos, é praticamente a mesma de todo o País. Nas imediações do prédio, quem cuida da segurança é a Polícia Militar. Do portão para dentro a tarefa fica a cargo da Polícia Civil, responsável pelo o que eles chamam de Lado Térreo. Eles cuidam das ocorrências no saguão, antes de o passageiro passar pelo raio-X. A partir de então, quem toma conta do chamado “lado A” é a Polícia Federal, que fiscaliza, por exemplo, a origem do que é despachado.

Espalhados pelo aeroporto ficam os seguranças privados contratados pelas administradoras do complexo – a Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) na maior parte do Brasil. Em Guarulhos, no entanto, a responsável é a GRU Airport, que em novembro do ano passado venceu uma concorrência para administrar Cumbica.

Ali, a empresa mantém 600 seguranças e 720 câmeras de vigilância. "Instalamos 120 câmeras em dez meses. Serão 1.500 até a Copa do Mundo”, garante a assessoria da empresa. Apesar dos números, a GRU responsabiliza a TAM pela segurança da carga roubada. “Nós cuidamos da segurança do aeroporto. Quem protege o terminal de carga é a companhia aérea que fornece a seus clientes o transporte de mercadoria.”

Na TAM, a empresa é a TAM Cargo, que até o fechamento da reportagem não soube informar quantos seguranças são mantidos em Cumbica e em que esquema de plantão eles trabalham.

Especializado em prevenção de incêndio em aeroportos, o Coronel Athayde, do Corpo de Bombeiros, afirmou ao iG que a falta de efetivo e integração entre as polícias sempre foi considerada grave nos aeroportos nacionais. “Esse roubo aconteceu em Guarulhos, que é bem mais protegido do que outros aeroportos pelo interior de São Paulo. As condições são ainda piores em Sorocaba, São José dos Campos...”

Reprodução
Terminal de cargas da TAM fica na Rodovia Hélio Smidt, ao lado do Aeroporto

O presidente da Andep diz que um roubo dessa natureza “é quase impossível de acontecer em aeroporto no primeiro mundo": “Ainda há poucas câmeras e policiamento adequado. Parece que a privatização do sistema não tem ajudado a melhorar a segurança.”

Embora o crime de domingo não tenha sido o primeiro e as reclamações de roubo de bagagem sejam cada vez mais frequentes, o País não tem nenhuma estatística sobre o roubo de cargas nos aeroportos nacionais. “Os contratos são com a iniciativa privada, não temos esse controle”, justifica a assessoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) .

"Com pouca informação e nenhuma integração entre as polícias", os especialistas não se surpreendem com os detalhes do roubo em Cumbica, quando oito vigilantes da TAM Cargo foram rendidos pelos dez bandidos, dois deles vestidos com uniforme da empresa.

Um dos vigilantes foi falar com os suspeitos. Rendido, não pode impedir a entrada da gangue. Dois vigilantes ficaram presos na guarita sob supervisão de outros suspeitos enquanto o restante foi levado para o depósito, onde renderam as outras vítimas, identificaram a carga concluíram o crime.

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