Presidente da ANBio afirma que explosão tóxica é uma bomba química e que exposição pode resultar em câncer

Os afetados pela fumaça gerada pelo grande incêndio na cidade de São Francisco do Sul , em Santa Catarina, em um primeiro momento podem apresentar garganta e olhos irritados, além de processos alérgicos, tosse e em casos mais graves, insuficiência respiratória. A indicação é buscar orientação médica imediata. Porém, é de extrema importância que estas pessoas sejam monitoradas no longo prazo, pois os efeitos da intoxicação por nitrato de amônia podem ter também efeito cumulativo.

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O alerta é de Leila Macedo, presidente da Associação Nacional de Biossegurança (ANBio) que afirma que as substâncias suspensas no ar no litoral norte catarinense são altamente tóxicas. “A gente não deve estimular o pânico, mas o monitoramento é extremamente necessário. Estas substâncias não ficam só no ar, mas em pessoas e animais e estas partículas têm efeito cumulativo, podendo, a longo prazo ,ocasionar inclusive o câncer e o óbito”, disse Leila ao iG .

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Na noite de terça-feira, uma explosão de grandes proporções em um depósito de fertilizantes acarretou em uma fumaça tóxica. Os moradores deixaram a cidade e mais de 24 horas após a explosão a densa fumaça ainda não foi controlada. De acordo com as autoridades, dez mil toneladas de fertilizante oxidaram no local formando uma grande nuvem de fumaça.

Incêndio em depósito com carga de fertilizante à base de nitrato de amônio criou densa fumaça
Fabio Santos/Futura Press
Incêndio em depósito com carga de fertilizante à base de nitrato de amônio criou densa fumaça

Leila afirma que existe o risco de as partículas tóxicas se dispersarem com o vento, atingindo cidades distantes do litoral norte catarinense. “É uma bomba química, mas para saber se ela pode chegar a outras localidades é preciso saber, além das condições do vento, a real magnitude da explosão para então determinar até onde estas partículas podem chegar”, disse.

Operação

O incêndio não foi totalmente controlado. A fumaça já se espalha de forma dissipada até o litoral do Paraná e pode atingir a região sul de São Paulo nas próximas horas, segundo informou Marcelo Martins, meteorologista da Epagri/Ciram, empresa que monitora as condições climáticas em Santa Catarina. Porém, a previsão é que os ventos, na região do acidente, soprem na noite desta quinta-feira na direção sudeste e leste (direção do mar) com velocidade de 10 a 15 km/h e rajadas 20 a 25 km/h.

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