Governo estuda opções para minimizar apagões no Nordeste

Por Agência Estado |

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Cidades nos nove Estados da região tiveram problemas no fornecimento de energia no último mês de agosto

Agência Estado

O governo federal estuda alternativas para minimizar os problemas de abastecimento de energia no Nordeste, como evidenciado pelo apagão ocorrido em agosto passado, com o desligamento de duas linhas de transmissão no Piauí em função de uma queimada. Dentre as alternativas estudadas, a que mais agrada ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é a adoção do critério "N-2" na expansão da rede elétrica.

Local de queimada que ocasionou blecaute no Nordeste tinha vegetação inadequada

"Da mesma forma que isso já foi feito para Brasília, deveria ser feito também para outras regiões do País", afirmou o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp. O critério de segurança "N-2" consiste em dobrar o nível de redundância para evitar que a perda de um elemento da rede elétrica (linha de transmissão ou subestação) provoque problemas no fornecimento de energia. Hoje, a expansão da rede se baseia no critério "N-1", no qual o sistema só conta com um nível de redundância.

A primeira cidade a ser planejada para ter o sistema elétrico dimensionado no critério "N-2" foi Brasília. O governo tomou a decisão recentemente em função dos recorrentes blecautes que atingiam a capital federal. A intenção é que o conceito possa ser adotado em outras cidades de médio e grande porte do País. O principal ponto negativo do critério "N-2", contudo, é que implicaria mais investimentos na rede elétrica, elevando o custo da tarifa final de energia para os consumidores.

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Trânsito complicado em Salvador após semáforos se apagarem durante apagão que atingiu todos os Estados do Nordeste nesta quarta-feira. Foto: Romildo de Jesus/Futura PressEstabelecimentos são prejudicados na cidade de Salvador após blecaute que atingiu nove Estados do Nordeste. Foto: Romildo de Jesus/Futura PressMercado sem energia elétrica em Salvador tem as vendas prejudicadas nesta quarta-feira após apagão. Foto: Romildo de Jesus/Futura PressSemáforos apagados e atrapalham o trânsito na avenida Agamenon Magalhães, na cidade do Recife. Foto: Luiz Fabiano/Futura PressSemáforo apagado em cruzamento no Recife, nesta quarta-feira (28). Foto: Líbia Florentino\LeiaJáImagensSemáforos apagam e atrapalham o trânsito na cidade de Natal, nesta quarta-feira. Foto: Frankie Marcone/Futura PressApagão complicou o trânsito na capital do Rio Grande do Norte. Foto: Frankie Marcone/Futura Press

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, reconheceu a necessidade de fortalecer o sistema elétrico diante dos problemas recentes. O executivo defendeu a realização de mais estudos para verificar a necessidade de se adotar o critério "N-2". "Quanto mais redundâncias tiver, mais seguro será. Só que vamos pagar mais. Ou seja, há um ponto ótimo que é quanto nós queremos de segurança e quanto queremos pagar. Temos que verificar se essa é a melhor alternativa", argumentou.

Mais do que investir em redundâncias, o grande desafio na visão da EPE é o de diminuir o tamanho das áreas de "ilhamento". No jargão do setor elétrico, o conceito de ilhamento significa a área que ficou sem energia. No apagão de agosto, os procedimentos do sistema "ilharam" a falta de energia à Região Nordeste, de modo que o resto do País não teve problemas no abastecimento de energia. "Só que o Nordeste ainda é muito grande. O desafio, cada vez mais, é diminuir o tamanho das áreas de ilhamento", avaliou.

Embora seja complexo, Tolmasquim comentou que a redução do tamanho das áreas de ilhamento demandaria menos investimentos do que a implementação do critério "N-2" para a expansão da malha do sistema. "Temos como estudar e achar uma solução para que a menor área possível seja afetada. Isso é muito mais barato do que construir redundâncias", afirmou o executivo, ponderando que os investimentos em "N-2" também devem ser considerados.

O diretor-geral da ONS comentou, no entanto, que nem sempre a solução do ilhamento é viável, uma vez que o esquema de isolamento da área afetada depende da natureza da ocorrência. Para Chipp, os agentes do setor não deveriam polarizar as discussões sobre a melhor alternativa para resolver os problemas do sistema. "O planejamento reage muito. Ele sempre trabalhou em N-1 e, quando você fala em N-2, arrepia. Não é nada disso. Na minha visão, o blecaute é impagável. Não tem custo de investimento que pague um blecaute", argumentou Chipp.

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