Brasília terá quarto núcleo científico para apoio à gestão de saúde do País

Por Priscilla Borges , iG São Paulo |

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Modelo desenvolvido pela OMS auxilia gestores a utilizar evidências científicas nas políticas para o setor, melhorando a qualidade da assistência e reduzindo custos

Brasília será o quarto município do Brasil a criar um núcleo científico de suporte à gestão em saúde do País. O Núcleo de Evidências (NEV) da rede Evipnet, modelo desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2005, pretende dar apoio, a partir de levantamentos de evidências científicas em diferentes estudos e resultados de projetos já realizados pelo mundo, aos gestores na hora de criar políticas públicas para o setor.

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Alan Sampaio/ iG Brasilia
Karlo Quadros, coordenador de Pesquisa e Comunicação Científica da Escola Superior de Ciências da Saúde

“É uma rede que oferece respostas para facilitar a decisão do gestor, eliminando a tentativa e erro, mostrando o que deu certo para acabar com determinado problema, dando mais eficiência ao processo. O foco é melhorar qualidade de assistência, gastando menos recursos públicos”, afirma Karlo Quadros, coordenador de Pesquisa e Comunicação Científica da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS), instituição de ensino do Governo do Distrito Federal.

A ESCS, que em breve se tornará uma Universidade do Sistema Único de Saúde, sugeriu a criação do núcleo ao governo local por causa da afinidade da proposta com o projeto pedagógico da instituição. Criada há 12 anos, a escola está vinculada à Secretaria de Saúde do DF e possui metodologia de ensino inovadora, em que os alunos aprendem a partir de pesquisas sobre problemas e necessidades da rede de saúde da capital.

Por isso, o núcleo ficará dentro da instituição. A inauguração do centro ocorrerá na quarta-feira, às 19h30. Mas funcionários que trabalharão diretamente com a rede, que é coordenada pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) aqui no Brasil, serão treinados a partir de terça. Junto com eles, servidores dos núcleos regionais de saúde de cada região administrativa do DF também serão preparados para entender o trabalho da Evipnet.

“Queremos manter o diálogo com quem está na ponta do serviço de saúde e envolver os estudantes de medicina e enfermagem da ESCS no processo, como ambiente de formação”, explica Quadros. Segundo ele, os resultados do trabalho desse órgão serão avaliados por meio de projeto de pesquisa. Ele conta que o núcleo já será inaugurado com “encomendas”, “A superlotação das emergências será objeto de avaliação de experiências pelo mundo”, diz.

Teoria X prática

Além de relatórios sobre resultados de ações feitas para acabar com determinado problema, o núcleo pode ajudar a colocar soluções em prática. Por exemplo, se o gestor concluir que a recomendação do núcleo para aumentar a quantidade de consultas de pré-natal para reduzir a mortalidade infantil é a melhor medida a ser tomada, o núcleo pode organizar debates entre médicos, enfermeiros e mães para ajudar a colocar em prática as ações.

Para Quadros, é interessante que a população conheça o núcleo e o trabalho que desenvolvem para cobrar dos gestores que utilize os pareceres científicos do órgão antes de tomar uma decisão. “Ainda há resistências em relação a esse tipo de iniciativa porque há um distanciamento histórico entre o mundo do trabalho e o científico. Reduzir esse hiato e mudar essa cultura em pouco tempo é muito difícil”, avalia.

O coordenador do futuro núcleo acredita que a experiência servirá também para orientar o trabalho de pesquisa nas universidades brasileiras. “Muitas vezes, o conhecimento produzido na academia serve para ela mesma e não para a realidade. Falta conseguir aplicá-lo na realidade e o núcleo pode ser fonte para as universidades guiarem as pesquisas de acordo com os problemas de saúde que as redes enfrentam”, pondera.

Ele conta que os núcleos em atividade, que começaram em 2010, têm tido bons resultados. No Brasil, há órgãos no Piauí, Ceará e Pernambuco. As experiências em Piripiri, município do Piauí que faz parte da rede, por exemplo, contribuíram para o desenho da Rede Cegonha, programa que coordena o atendimento a grávidas e mães até a criança completar dois anos.

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