Decisões judiciais lançam ofensiva contra 'mascarados' antes do 7 de Setembro

Por Renan Truffi , iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Data cívica deve ser marcada por protesto em centenas de cidades. Capitais como Brasília e Rio coibirão mascarados

Os tradicionais protestos de 7 de Setembro, marcados para este sábado, dia em que se comemora a Independência do Brasil, devem ter um novo elemento. É que, em algumas cidades, a Justiça autorizou que forças de segurança identifiquem manifestantes mascarados. Isso em repressão, principalmente, aos grupos que ganharam força nos protestos de junho e adotam a estratégia Black Bloc, que consiste em se vestir de preto e cobrir o rosto para não ser identificado, com o objetivo de questionar o Estado.

Entenda: Após protestos, Black Blocs chegam à segunda geração no Brasil
Hoje: 
Manifestantes de movimentos sociais fecham principais acessos a Brasília

AP
Mascarados próximo ao Palácio Guanabara, durante protesto no Rio. Cidade vai combater os black blocs

Apesar da nova regra, foram convocados protestos em pelo menos 149 cidades. O evento com maior adesão está em uma página de uma rede social intitulada “Maior protesto da história do Brasil – Operação Sete de Setembro”, na qual quase 400 mil usuários confirmaram presença. Os proprietários da comunidade, que compartilham da “ideia Anonymous” e não quiseram se identificar, disseram ao iG que vão ocupar as ruas com os rostos cobertos e acreditam no apoio da população.

“Provavelmente até quem não compartilha da ideia Anonymous vai usar máscara em apoio aos manifestantes presos nesta semana. Repudiamos a decisão da Justiça sobre os manifestantes. Aproveitamos pra ressaltar a eficácia em fazer leis contra o povo e a lentidão para assuntos relacionados aos políticos e corrupção. Eles apenas agem rápido quando é assunto de interesse deles e não do povo”, criticaram em mensagem.

Protestos:
Brasília terá segurança reforçada para eventos do 7 de Setembro
PM do Rio de Janeiro diminui participação no desfile da Independência
Fortaleza tem desfile cívico e protesto no Sete de Setembro

No Estado de São Paulo, há quarenta cidades com manifestações programadas para o sábado. Só na capital paulista, mais de 21 mil pessoas confirmaram presença para o ato previsto para as 14h, no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na avenida Paulista.

Pelo menos quatro manifestações estão marcadas em pontos distintos do Distrito Federal, como Congresso e Museu Nacional. Em Brasília, cerca de 28 mil pessoas estão confirmadas em diferentes páginas da rede.

No Rio de Janeiro, 16 mil pessoas são esperadas no protesto na Cinelândia. Até mesmo brasileiros que moram na Nova Zelândia programaram, na cidade de Christchurch, um ato em solidariedade às manifestações. Veja imagens dos protestos no País:

Policiais em frente a Prefeitura de São Paulo durante protesto contra o aumento das passagens em São Paulo . Foto: Futura PressFotos internas da Prefeitura de São Paulo, após tentativa de invasão. Foto: Paulo Pinto/SecomFotos internas da Prefeitura de São Paulo, após tentativa de invasão. Foto: Paulo Pinto/SecomFotos internas da Prefeitura de São Paulo, após tentativa de invasão. Foto: Paulo Pinto/SecomManifestantes em frente ao carro incendiado da Rede Record. Foto: Futura PressManifestantes saqueiam e depredam agência do Banco Itaú. Foto: Futura PressManifestantes saqueiam e depredam agência do Banco Itaú. Foto: Futura PressManifestantes saqueiam e depredam agência do Banco Itaú. Foto: APBombeiros apagam incêndio provocado por ataque a um dos carros da Rede Record. Foto: APCarro da Rede Record é incendiado por alguns dos manifestantes. Foto: APPoliciais tentam se proteger e se abrigam na Prefeitura de São Paulo. Foto: Futura PressManifestante depreda cabine da Polícia Militar. Foto: Futura PressManifestantes tentam invadir a Prefeitura de São Paulo. Foto: APManifestantes queimam as bandeiras da cidade e do Estado de São Paulo. Foto: APEnquanto alguns manifestantes pedem paz, outros tentam invadir a Prefeitura de São Paulo. Foto: Renan Tuffi/iG São PauloManifestantes seguem para a Av. Paulista. Foto: Futura PressManifestantes, que são contra as ações violentas de alguns grupos, tentam estender bandeira branca para mostra que o protesto é pacífico . Foto: Futura PressManifestantes tentam invadir a Prefeitura de São Paulo. Foto: Futura PressManifestantes colocam fogo em carro gerador de imagens da Rede Record e atacam posto policial. Foto: Renan Tuffi/iG São PauloManifestantes tentam invadir a Prefeitura de São Paulo. Foto: Futura PressManifestantes tentam invadir a Prefeitura de São Paulo. Foto: Futura PressManifestantes tentam invadir a Prefeitura de São Paulo. Foto: Futura PressPolícia tenta se proteger na entrada da Prefeitura de São Paulo. Foto: Futura PressManifestantes permanecem na região da Prefeitura de São Paulo. Foto: Renan Tuffi/iG São PauloHomem passa mal e é atendido na calçada. Foto: Renan Tuffi/iG São PauloManifestantes em frente à Prefeitura de São Paulo. Foto: Futura PressManifestantes em frente à Prefeitura de São Paulo. Foto: Futura PressManifestantes em frente à Prefeitura de São Paulo. Foto: Futura PressAlguns manifestantes tentam invadir a Prefeitura de São Paulo. Foto: Futura PressAlguns manifestantes tentam invadir a Prefeitura de São Paulo. Foto: Futura PressAlguns manifestantes tentam invadir a Prefeitura de São Paulo. Foto: Futura PressManifestantes se reúnem na Praça da Sé, em São Paulo, para o sexto dia de protestos contra o aumento da tarifa do transporte público. Foto: Futura PressManifestantes se reúnem na Praça da Sé, em São Paulo, para o sexto dia de protestos contra o aumento da tarifa do transporte público. Foto: Futura PressManifestantes se reúnem na Praça da Sé, em São Paulo, para o sexto dia de protestos contra o aumento da tarifa do transporte público. Foto: Futura PressManifestantes se reúnem na Praça da Sé, em São Paulo, para o sexto dia de protestos contra o aumento da tarifa do transporte público. Foto: Futura PressManifestantes se reúnem na Praça da Sé, em São Paulo, para o sexto dia de protestos contra o aumento da tarifa do transporte público. Foto: Futura PressEstação de Metrô Sé é tomada pelos manifestantes. Foto: Futura PressManifestantes se reúnem na Praça da Sé, em São Paulo, para o sexto dia de protestos contra o aumento da tarifa do transporte público. Foto: Futura PressManifestantes se reúnem na Praça da Sé, em São Paulo, para o sexto dia de protestos contra o aumento da tarifa do transporte público. Foto: Renan TruffiManifestantes se reúnem na Praça da Sé, em São Paulo, para o sexto dia de protestos contra o aumento da tarifa do transporte público. Foto: Renan Tuffi/iG São PauloManifestantes se reúnem na Praça da Sé, em São Paulo, para o sexto dia de protestos contra o aumento da tarifa do transporte público. Foto: Renan TruffiManifestantes se reúnem na Praça da Sé, em São Paulo, para o sexto dia de protestos contra o aumento da tarifa do transporte público. Foto: Futura PressManifestantes se reúnem na Praça da Sé, em São Paulo, para o sexto dia de protestos contra o aumento da tarifa do transporte público. Foto: Futura PressManifestantes se reúnem na Praça da Sé, em São Paulo, para o sexto dia de protestos contra o aumento da tarifa do transporte público. Foto: Futura PressManifestantes se reúnem na Praça da Sé, em São Paulo, para o sexto dia de protestos contra o aumento da tarifa do transporte público. Foto: Futura PressManifestantes se reúnem na Praça da Sé, em São Paulo, para o sexto dia de protestos contra o aumento da tarifa do transporte público. Foto: Futura PressManifestantes se reúnem na Praça da Sé, em São Paulo, para o sexto dia de protestos contra o aumento da tarifa do transporte público. Foto: Futura Press

Protesto 2011: Veja imagens da Marcha contra a corrupção pelo País
Marcha em 2012: Marcha contra a corrupção reúne 7 mil em Brasília

Combate às máscaras

Rio de Janeiro e Brasília são duas capitais onde os policiais estão autorizados a impedir que os manifestantes usem máscaras. Na capital federal, todos manifestantes mascarados deverão ser detidos até que se identifiquem, como explicou o comandante-geral da PM, Jooziel Melo Freire. “O planejamento de segurança vem sendo feito há mais de 30 dias. Vamos agir com rigor. Os protestos acontecerão dentro do limite da legislação”, afirmou Freire. Na capital fluminense, as prisões começaram na terça-feira (3), quando policiais prenderam duas pessoas que usavam máscaras em um ato na Cinelândia, no centro da cidade. Uma delas não estaria portando documentos e a outra se recusado a tirar a veste que cobria seu rosto.

A onda de proibições chegou até o interior de São Paulo, onde a Justiça vedou o usou de camuflagens em protestos que aconteceram nas rodovias administradas pela concessionária Rota das Bandeiras, responsável pela D. Pedro 1º e Professor Zeferino Vaz (SP-332). A medida cautelar foi aceita pela Vara Cível de Cosmópolis depois que uma praça de pedágio foi incendiada durante ato na região em junho. Quem descumprir a decisão será levado para a delegacia.

Na capital paulista, no entanto, os encapuzados poderão exercer normalmente o direito à manifestação. Quem garantiu foi o tenente-coronel da Polícia Militar Marcel Lacerda Soffner. “A postura da PM é no sentido de garantir o direito à manifestação ordeira. Não houve nenhum tipo de orientação (para deter pessoas com o rosto coberto). Só se cometer crime. Nossa principal preocupação é garantir a manifestação. É uma data importante para o nosso País”, concluiu.

A questão das máscaras ainda divide opiniões de especialistas. O filósofo e professor da USP Renato Janine Ribeiro concorda com a medida por ser contra qualquer tipo de violência. “Eu acho correta (a proibição). Sou a favor porque, tudo o que escrevi desde o começo das manifestações, foi contra a violência. Não tem que ter nem nada disso (vandalismo). Não vejo problemas nisso daí. É inteiramente correto”, opinou. Já o compositor Caetano Veloso, de acordo com a Mídia Ninja, conclamou todos os manifestantes a usarem máscara no protesto. “É uma violência simbólica proibir o uso de mascaras. Dia 07 de Setembro todos deveriam ir as ruas mascarados", disse.

Leia também:
Presente em protestos, jornalismo cidadão força adaptação da mídia tradicional
Início: Inspirados pela revolta turca, jovens vão a passeatas pelo Brasil

Pauta dos protestos

As reivindicações da “Operação Sete Setembro” foram escolhidas por meio de uma enquete online durante 14 dias e receberam mais de 26 mil votos. Assim, a pauta da manifestação será a “prisão dos condenados no julgamento do mensalão, aprovação da Lei de Combate à Corrupção, redução do número de deputados, reforma tributária, fim do voto obrigatório e aprovação do novo Plano Nacional de Educação (PNE)”.

“Esta pauta foi decidida em votação, mas logicamente vamos abrir para muitas outras sugestões como aprovação da PEC 18 (que determina perda automática de mandato de condenados), internet a preço justo e de qualidade, investigação e punição para os envolvidos no propinoduto tucano (em referência às denúncias de cartel nas licitações do Metrô de São Paulo), maior respeito do INSS aos contribuintes, entre outros que possam ser de interesse coletivo”, explicam os autores da página “Maior protesto da história do Brasil”.

Apesar da comunidade na rede social fazer menção ao Anonymous Brasil e Brasil Contra Corrupção, entre outros, seus integrantes negam terem capitaneado as manifestações do feriado. “Somos incentivadores por estarmos dando atenção e dedicação nas atividades do protesto.”, explicam os Anonymous.

Na página do protesto, os grupos negam ainda serem de extrema-direita ou ligados a partidos. “Qualquer ato fascista ou conclamando um golpe militar, que disfarçadamente é chamado de intervenção militar, não faz parte da real ideia da Operação Sete de Setembro. A Operação não é de esquerda, direita ou centro, não tem partidos, não tem bandeiras, não tem siglas”, explica o texto na rede social.

Os membros do Brasil Contra Corrupção criticaram, por exemplo, a repressão policial nos protestos. “Que alguns protestos vão terminar em vandalismo, todos sabem. A repressão da policia acaba gerando este tipo de enfrentamento, não é o que deveria acontecer. O estado ainda está de pé por conta dos comandantes estarem obedecendo cegamente aos políticos. No dia que eles acordarem e descobrirem que fazem parte do povo, o governo finalmente vai ter que ceder a todo e qualquer anseio do povo”, afirmaram em resposta ao iG.

Leia tudo sobre: protestosferiadosete de setembroblack blocs

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas