Raros no programa, casais de médicos se unem para enfrentar distância de casa

Por Priscilla Borges , iG Brasília | - Atualizada às

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Na turma do Mais Médicos em Brasília, há poucos casais, mas eles se unem para enfrentar o desafio de morar em regiões mais isoladas e de interior

Yaneli Lopez, 41 anos, e Juan Miguel Guerra, 45 anos, estão casados há 23 anos e, pela segunda vez, deixaram as duas filhas (uma de 17 e outra de 9 anos) com os pais, em Cuba, para participar de uma “missão humanitária”. Os dois são um dos raros casais entre os médicos cubanos recém-chegados ao Brasil para participar do Programa Mais Médicos e dedicarão os próximos três anos de suas vidas a cuidar de pacientes em Tocantins.

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Para quem veio com o companheiro, a saudade de casa e os desafios do programa se tornam mais amenos. É o caso também de Raquel Crespo Nuñez, 33 anos, e Técio Cley Soares, 37 anos, que participam do curso de formação de três semanas em Brasília. Juntos, eles conseguem lidar mais fácil com a falta que sentem dos filhos (de 3 e 6 anos) nesse período.

ALAN SAMPAIO/iG BRASILIA
Pela segunda vez, Yaneli e Juan saem em missão e deixam as filhas para trás. "Fico tranquilo porque sei que elas estão bem cuidadas com a nossa família", diz Juan

Eles decidiram trazer a família toda de Portugal e as crianças aguardam os pais na casa da avó paterna, que mora em Goiás. Os dois serão enviados para o mesmo destino e venderam tudo o que tinham em Portugal para viver no Brasil. “Eu não viria sem meus filhos, não suportaria”, brinca Raquel. Técio, que é brasileiro, viu no programa a oportunidade de morar mais perto da família, depois de 16 anos morando na Europa.

Ainda jovem, Técio decidiu estudar Medicina na Espanha, onde conheceu a esposa e se casou. Durante os nove anos de casamento, voltar ao Brasil era uma possibilidade distante. Com o programa, eles se sentiram mais seguros para trabalhar no país. “Vamos fazer o Revalida, por uma questão de autoestima. Não queremos nos desvincular do estado. Mas, se quisermos, quando terminar o programa, continuamos no país”, afirma o brasileiro.

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Longe de todos

Os cubanos Yaneli e Juan são categóricos ao afirmar que estão tranquilos para passar tanto tempo longe dos filhos – eles poderão se ver nas férias, depois 11 meses – porque têm a certeza de que as meninas “ficarão bem com a família”. Eles garantem que não falta nada a elas e a emoção dos pais ao contar do trabalho em missões “contaminou” a filha mais velha, que quer ser médica como os pais.

Em 1999, Juan participou de sua primeira missão, na Guatemala. Em 2006, ele e a esposa foram juntos para a Bolívia, onde passaram dois anos. Agora, vão ficar os próximos três anos no Brasil “despreocupados”, eles garantem. “É dolorido ficar longe, claro, mas fazemos isso em solidariedade aos povos. Somos educados a ajudar quem precisa. Tenho certeza de que essa experiência também contribuirá para minha vida pessoal”, afirma.

Juan admite que a primeira missão foi a mais difícil. Com a esposa, administrar as saudades é mais fácil. “Quando conto às minhas filhas a emoção das pessoas que atendo nos países que precisam da nossa ajuda, a rotina do meu trabalho, ela também se emociona. Me sinto bem em estar aqui e poder transmitir isso a elas”, conta orgulhoso.

Segundo os cubanos, eles são “adaptáveis” e, por isso, não temem a saudade ou as dificuldades. “Queremos trabalhar para ajudar o sistema de saúde brasileiro, com os profissionais brasileiros e estamos preparados para isso”, garante Yaneli.

Alan Sampaio/iG Brasília
Técio e Raquel deixaram os filhos com a avó paterna, no interior de Goiás, e os buscarão quando tiverem instalados no município em que trabalharão

Animada com a ideia de ter uma vida diferente, no interior (Raquel e Técio vão para Trindade, em Goiás), Raquel diz que não está preocupada com a polêmica em torno do programa. Para a médica espanhola, a população eu precisa desses profissionais os receberá de braços abertos.

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