iG visitou casa onde, em 1985, Roberto Agostinho Peukert assassinou pai, mãe e os três irmãos, de 17, 16 e 8 anos

Vizinho lembra que garoto que matou família inteira era
Renan Truffi/iG São Paulo
Vizinho lembra que garoto que matou família inteira era "dócil" com todos da rua

Apesar de ser um caso pouco conhecido entre a geração que nasceu nos anos 1980, uma casa na rua José Vieira Netto Leme, na Vila Santa Catarina, em São Paulo, continua até hoje estigmatizada por uma chacina em 1985. Na época, Roberto Agostinho Peukert, então com 18 anos, matou o pai, 46 anos, funcionário da Mercedes-Benz; a mãe, 42, operadora bilingüe da multinacional ZF do Brasil; a irmã, Cristina, 16; e os irmãos, Paulo, 17, e André, 8, com tiros e golpes de facadas depois de uma discussão por conta do som alto. Em seguida, Robertinho, como era chamado, colocou os corpos no carro e abandonou o veículo próximo ao Cemitério de Congonhas.

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Quase 30 anos depois, o sobrado continua vazio e sua história é conhecida por todos que moram na estreita rua da zona sul da capital paulista. “Ninguém entra, ninguém sai. Ninguém quer”, resume o segurança contratado pelos moradores para tomar conta das casas, que está empregado há seis anos, mas já cansou de ouvir histórias da tragédia. Isso porque vários dos vizinhos que moravam na rua na época do crime ainda estão por ali. “O Robertinho era dócil. Ele me ajudava a separar briga das crianças na rua. Não bebia, não fumava. Foi uma coisa muito trágica. Ele largou os corpos no carro e voltou virando a chave no dedo. Normal. Sei porque um vizinho lembra de ter visto ele voltando a pé naquele dia e contou. O (psiquiatra Guido) Palomba me disse na época que ele era fronteiriço. Estava na linha entre o homem bom e o doente”, contou o aposentado Sidney Luiz Pierotti, de 72 anos.

A casa continua praticamente igual. “Só pintaram um tempo atrás e trocaram as duas janelas. Mas ela era assim, do jeito que você está vendo, em 1985”, explica Pierotti. Segundo ele, um casal chegou a morar, de aluguel, no sobrado há “seis ou sete anos”. Mas a estadia durou só “pouco mais de um ano”. “Um dia ele (locatário) disse para mim que tinha visto o Robertinho passando em frente à casa. Eu disse: ‘Você está louco. Ele está no manicômio. Não sai de lá sem a assinatura do Palomba’. Eu expliquei que não era possível, mas ele foi embora mesmo assim”, contou.

Roberto Agostinho Peukert foi condenado a 25 anos de prisão, mas acabou sendo encaminhado para o manicômio judiciário. Atualmente, ele está em “regime de Desinternação Progressiva no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Franco da Rocha II” e, ao contrário do que acreditava Pierotti, pode sair do manicômio “para visitas domiciliares”.


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