Justiça de Goiás decidiu que Carlos Eduardo Nunes não precisa mais ficar internado em uma clínica psiquiátrica

Agência Estado

Carlos Eduardo, assassino de Glauco
AE
Carlos Eduardo, assassino de Glauco

Com a justificativa de proporcionar o melhor tratamento ao louco infrator, a Justiça de Goiás decidiu esta semana que Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, 27 anos, assassino do cartunista Glauco Vilas Boas e do filho dele, Raoni Vilas Boas, não precisa mais ficar internado em uma clínica psiquiátrica. Ele pode até viver em Osasco (SP), local dos crimes, se pedir e a Justiça autorizar.

A desinternação era prevista desde março, quando encerrou o período de três anos de medida de segurança, internação exigida para doentes mentais infratores. O assassinato ocorreu em 12 de março de 2010. A liberação foi determinada na quarta-feira, 07, pela juíza Telma Aparecida Alves, titular da 4ª Vara de Execuções Penais de Goiânia.

O advogado de Cadu, Gustavo Henrique Badaró, estava viajando nesta sexta-feira, 09, não foi encontrado para dizer se o rapaz já teve alta da clínica particular onde estava internado e se ficará na casa da família em Goiânia, ou se o defensor vai solicitar autorização para que ele se mude. "Podemos autorizar (a mudança para outras cidades), como ocorreria com qualquer pessoa que foi absolvida, como ele", explicou a magistrada. A absolvição ocorreu quando ele ainda estava no Paraná.

Periculosidade

Além dos prazos legalmente previstos pelo Código Penal, a juíza Telma Aparecida disse que levou em consideração os relatórios psiquiátricos que assinalavam que a periculosidade da esquizofrenia sofrida por Cadu estava sob controle e que ele não oferece ameaça. Também pesou uma avaliação pela junta médica do Tribunal de Justiça, ocorrida em junho.

Entretanto, a juíza disse que a alta hospitalar tem restrições, tais como continuar o tratamento ambulatorial e visitar o médico todos os meses, enviando o relatório a 4ª Vara, sob pena de voltar a ser internado.

Da decisão de livrar Cadu da internação não cabe recurso judicial.

Diagnosticado com esquizofrenia paranoide, Cadu havia sido considerado inimputável pelas mortes, a tiros, ocorridas durante um surto psicótico, após consumir maconha, haxixe e uma mistura de ervas fornecida pela igreja Céu de Maria, fundada por Glauco, que seguia a doutrina do Santo Daime e oferecia aos praticantes um chá alucinógeno.

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