Dilma anuncia programa que prevê contratação de médicos estrangeiros

Por Reuters |

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Presidente fez o anúncio oficial do plano de melhoria do sistema de saúde pública no programa semanal de rádio

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A presidente Dilma Rousseff usou seu programa semanal de rádio para defender um plano de melhoria do sistema de saúde pública do país, a ser anunciado formalmente na tarde desta segunda-feira (8), que inclui a polêmica contratação de médicos estrangeiros e estímulos para os brasileiros se deslocarem a áreas fora dos grandes centros.

Agência Brasil
Pacto Nacional da Saúde é um dos cinco propostos pela presidente em resposta às manifestações. Dilma Rousseff em foto tirada no dia 1 de junho

O chamado Pacto Nacional da Saúde, um dos cinco propostos pela presidente em resposta às manifestações que tomaram as ruas do país nas últimas semanas, envolve mais investimentos e o desolocamento de médicos para as periferias das grandes cidades e interior do país.

"Estamos investindo 7,4 bilhões reais na construção, reforma e compra de equipamentos para postos de saúde, Unidades de Pronto Atendimento, as UPAs, e os hospitais. E, no ano que vem, nós vamos investir mais 5,5 bilhões reais em novas unidades", disse Dilma no programa de rádio semanal "Café com a Presidenta".

A prioridade do programa Mais Médicos, que prevê a polêmica contratação de estrangeiros, é levar os profissionais para as periferias das grandes cidades e municípios das Regiões Norte e Nordeste. O governo federal vai pagar 10 mil reais por mês para o médico que participar do programa, pagamento feito pelo Ministério da Saúde.

"Quero repetir que os médicos estrangeiros só vão ocupar as vagas que não forem preenchidas por médicos brasileiros", disse a presidente.

"Daremos prioridade aos nossos médicos, aos médicos formados aqui no Brasil, que são altamente qualificados. Mas, infelizmente, não existem em número suficiente para atender toda a nossa população", acrescentou.

A iniciativa de trazer médicos de fora do país encontra resistência entre as entidades que representam esses profissionais no Brasil. Em nota divulgada na semana passada, o Conselho Federal de Medicina (CFM) se declarou contra a "importação de médicos estrangeiros" sem que seja feito o exame nacional de revalidação do diploma, o Revalida.

"A oferta de profissionais sem a devida verificação de conhecimento e competências é uma medida imediatista, paliativa e de alto risco para a população atendida, especialmente a parcela mais carente e vulnerável", disse o CFM.

A presidente afirmou que os médicos podem ser provenientes de qualquer país, desde que capacitados, com experiência em atenção básica e com conhecimento do português.

Antes de entrarem em atividade no Brasil, esses profissionais serão avaliados durante três semanas por universidades públicas, que serão responsáveis pela supervisão dos médicos durante os três anos que trabalharão no país.

Em resposta aos protestos nas ruas, convocados inicialmente para protestar contra o aumento da tarifas de ônibus, mas que derivaram em reivindicações por melhoria dos serviços públicos e combate à corrupção, a presidente anunciou os chamados cinco pactos, que abrangem as áreas de responsabilidade fiscal, transportes, saúde, educação e reforma política.

O iG está fazendo uma série especial sobre o projeto e a polêmica de trazer médicos estrangeiros para o Brasil. Confira: 

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