Após reunião com MPL, ministro admite transporte público 'deficiente'

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Movimento Passe Livre, por sua vez, saiu do Palácio do Planalto dizendo que o governo federal não apresentou nenhuma proposta concreta para zerar a tarifa do transporte público

O ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, admitiu na tarde desta segunda-feira (24) que o transporte público no Brasil é “deficiente”. A afirmação foi feita após reunião entre o ministro, a presidente Dilma Rousseff e integrantes do Movimento Passe Livre (MPL), em Brasília. Ribeiro, no entanto, culpou o "histórico” do Brasil, que segundo ele ficou “30 anos” sem investir em mobilidade urbana.

Dilma anunciará ‘pacto pela menor tarifa’ em reunião com governadores e prefeitos

Roberto Stuckert Filho/PR
Manifestantes reunidos com Dilma nesta segunda-feira

“A qualidade dos serviços (de transporte público) precisa melhorar porque é muito deficiente. Importante ressaltar que há 30 anos não se investia em mobilidade urbana no País. Esse tema passou a se concretizar em 2011. Essa agenda que foi retomada agora”, afirmou em entrevista coletiva.

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Aguinaldo Ribeiro disse ainda que o primeiro encontro com integrantes do MPL fazem parte de uma nova agenda e de um "pacto pela melhoria do transporte público". “Essa foi uma primeira conversa sobre medidas que já foram tomadas e sobre as próximas medidas que serão tomadas após o encontro com prefeitos e governadores. Também existe possibilidade de avanço ainda mais na questão de uma relação de um pacto pelo transporte publico de qualidade. Nós saímos com uma nova perspectiva de agenda, passaremos a intensificar as discussões relativas a essas medidas que estão sendo propostas”, confirmou sobre a intenção do governo federal de anunciar novas medidas para a área de mobilidade urbana.

Divulgação
Ministro descartou adotar "tarifa zero" no transporte público brasileiro

Ele falou também a principal reivindicação do MPL, que propõe tarifa zero para o transporte público no Brasil. “Tarifa zero é uma discussão para um segundo momento”, disse.

MPL analisa reunião

Já o Movimento Passe Livre saiu do Palácio do Planalto dizendo que o governo federal não apresentou nenhuma proposta concreta para zerar a tarifa do transporte público ou melhorar o serviço. "Diálogo é um passo importante, mas sem ações concretas, que firmem essas melhorias para a população, não existe avanço", disse Mayara Vivian, uma das líderes.

Segundo os líderes do movimento, os quatro militantes que vieram de São Paulo foram convidados pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, no sábado, 21. A Presidência da República custeou, de acordo com eles, a passagem para Brasília. "A gente não tem dinheiro nem para pagar R$ 3,20", justificou Mayara.

Os líderes do MPL defenderam o empenho do governo na PEC 90, que torna o transporte público num direito social, mas Dilma se comprometeu apenas a fiscalizar os gastos dos recursos públicos com transporte. "Se tem dinheiro para construir estádio, tem sim para tarifa zero", insistiu Mayara.

Eles contaram que essa foi a primeira vez que a Presidência da República recebeu um grupo ligado a defesa do transporte público e deixaram a reunião criticando o "despreparo do governo" para lidar com a questão.

O grupo anunciou após a reunião que continuará mobilizado até que medidas concretas sejam anunciadas e que o MPL se somará nesta semana às "lutas das esquerdas". "As manifestações seguem até a gente conseguir o nosso objetivo, que é a tarifa zero", disse Marcelo Hotinsky, outro integrantes.

* Com informações da Agência Estado

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