Marcha das Vadias em Brasília traz pauta ampla sem perder o foco

Por Marcel Frota - iG Brasília | - Atualizada às

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Manifestação acontece neste sábado pedindo mais direitos para as mulheres e único político claramente criticado foi Marco Feliciano (PSC-SP)

Marcel Frota/iG Brasília
Marcha das Vadias em Brasília pede mais direitos para as mulheres

Por quase três horas, a Marcha das Vadias percorreu ruas do centro de Brasília. Segundo estimativa da Polícia Militar, 4 mil pessoas participaram do protesto. Esta foi a terceira edição da Marcha das Vadias no Distrito Federal e teve uma pauta ampla, que incluiu temas como a PEC 37 e a aprovação do projeto da cura gay, mas não perde o foco das questões relacionadas aos direitos das mulheres. Os gritos são contra o machismo, contra a violência, por respeito e pelo direito ao aborto.

Mel Gallo, 25 anos, integrante do movimento da Marcha das Vadias, afirma que o protesto delas se somou, na edição deste ano, a todas as manifestações que acontecem Brasil afora, "mas trazendo destaque para a pauta feminista". Por isso, apesar de ampla pauta, o movimento não perdeu o foco com reivindicações que poderiam ser incoerentes umas com
as outras.

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"A pauta central é o fim da violência contra a mulher e pensando todas as formas de violência. Não só a violência física, mas também a violência dos fundamentalismos religiosos, que impede que a gente tenha o direito de abortar legalmente, ou então a violência simbólica que impede que a gente ande na rua da forma como a gente quiser", disse Mel, que acrescentou que convidou todo mundo para se juntar à caminhada delas.

Os políticos foram poupados de ataques mais claros. Apenas uma menção que "as poderosas estão na rua, oh Dilma, é culpa é sua", cantado em coro, era a sinalização de alguma crítica à presidente. A única exceção foi Marco Feliciano (PSC-SP), deputado que conduziu a aprovação do projeto da cura gay na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Por diversas vezes os cânticos foram para xingá-lo e pedir sua saída da presidência da comissão.

Sem hostilidade aos partidos
Além de manter o foco das reivindicações, a Marcha das Vadias também teve outro diferencial em relação aos protestos que vêm ocorrendo no país: não houve hostilidade aos partidos. A deputada Érika Kokay (PT-DF) participou da manifestação e disse não ter tido medo de ser hostilizada. "Sempre venho na marcha. Este é um protesto que tem clareza do porquê se fez. Tem objetivos definidos pelos direitos das mulheres. É bom estar aqui", disse a deputada.

Militantes do PSB também participaram vestindo camisas dos partidos e não foram incomodados. "Não admitimos o Brasil sem partidos. Não ter partidos é AI-5, não queremos que isso se repita", disse Flavio Brebis, 40 anos, secretário do núcleo LGBT do PSB.

Uma das organizadoras da marcha, Mel diz que o movimento recomenda que os participantes não tragam bandeiras, mas diz que a Marcha das Vadias não é contra os partidos. "A marcha é autônoma e se organiza de forma independente de partidos. A gente pede para que as pessoas que participarão da marcha não tragam bandeiras de partidos ou de movimentos específicos, mas a gente de forma alguma repreende quem vem com a sua camiseta defender sua identidade e mostrar que além desse movimento, tem outras causas também. De forma alguma somos contra as pessoas se organizarem em partidos. Até porque isso é uma conquista democrática que a gente incentiva. Não só a entrada nos partidos, mas também a luta organizada independente".

O marcha foi encerrada na praça da Torre de TV com um ato contra o Estatuto do Nascituro e pela liberdade ao aborto.

Momento tenso
A passeata não teve confrontos com a política e nem atos de depredação. O único momento tenso aconteceu quando um guardador de carros aproveitou que as manifestantes cantava em coro que elas poderiam "dar para quem quiser" pois o corpo é delas e começou a provocá-las dizendo que queria que elas dessem para ele. Ele foi repreendido pelas manifestantes e chegou a arremessar suas muletas contra carros.

Veja o vídeo:


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