Principais jornais da Europa e dos EUA falaram sobre os episódios de violência registrados e destacaram recorde de participação em manifestações desde o impeachment de Collor

O dia em que cerca de 1 milhão de pessoas foram às ruas em várias pequenas e grandes cidades do Brasil ganhou destaque em alguns dos principais portais jornalísticos estrangeiros. Os veículos destacaram as causas do protesto e apontaram insatisfações com problemas sociais e com o alto custo de obras para a Copa das Confederações e para a Copa do Mundo. Também reforçaram que a presidente Dilma Rousseff cancelou uma viagem ao exterior e convocou uma reunião de emergência .

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Reprodução do site da rede BBC (Reino Unido)
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Reprodução do site da rede BBC (Reino Unido)

O jornal espanhol El País publicou nesta manhã sua reportagem em versão traduzida para o português, para facilitar o entendimento dos brasileiros que acompanham a cobertura. De acordo com a publicação, a "mão que a preisdente Dilma estendeu às vozes das ruas não bastou".

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Ele destaca também que na quinta-feira "fora batido o recorde de participação das manifestações de agosto de 1992 contra o presidente Fernando Collor de Melo, que sofreu impeachment no mês seguinte".

O New York Times , dos EUA, trouxe editorial com o título "O despertar social do Brasil", no qual afirma que a maioria silenciosa da população do Brasil parece estar encontrando sua voz política. E, nesse cenário, a presidente terá que endereçar novas demandas com substância e entendimento.

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O jornal norte-americano, que vem dando amplo destaque aos protestos no Brasil nesta semana, diz que as enormes manifestações no País pegaram todo mundo de surpresa, mas talvez não devesse ser o caso. Apesar das enormes conquistas do País nas últimas décadas (economia mais forte, eleições democráticas, maior atenção e dinheiro aos pobres), ainda há uma distância enorme entre as promessas dos políticos de esquerda que governam o país e a realidade do dia a dia dos brasileiros.

O editorial do Times cita um estudo do Banco Mundial que coloca o Brasil como a sétima maior economia do mundo. Ao mesmo tempo, o país fica entre os piores colocados na distribuição de renda e em rankings de educação. O jornal cita ainda que vários políticos brasileiros têm sido envolvidos em casos de corrupção e mau uso do dinheiro público.

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Por isso, o Times destaca que não é surpresa que o aumento das tarifas de ônibus tenha gerado uma insatisfação generalizada da população que paga cada vez mais impostos. Também não é surpresa a decepção das pessoas com os altos gastos para reformar ou construir estádios para a Copa do Mundo em um país carente de melhores educação e saúde.

A Reuters destacou que as manifestações até quinta-feira foram em sua maioria pacíficas e lideradas pela classe média. Mas na sexta-feira, muitos brasileiros "acordaram com imagens na TV mostrando jovens mascarados saqueando lojas, colocando fogo e depredando prédios públicos, incluindo o do Ministério das Relações Exteriores em Brasília, que ficou com os vidros quebrados".

"Diferente de manifestações anteriores, a maior parte da violência nesta quinta-feira foi provocada pelos próprios manifestantes, em vez da resposta repressiva da polícia", afirma a agência de notícias.

O Guardian , da Inglaterra, destaca que Dilma "uma ex-estudante radical" tentou aplacar os manifestantes alogiando seu espírito pacífico e democrático. "Rio e São Paulo e outras cidades reverteram o aumento das tarifas de transporte público, mas isso não foi capaz de conter a agitação", disse. O jornal também mostra que as pessoas atingiram o "limite de sua tolerância" por causa de problemas há muito sem solução, que a Copa das Confederações e a Copa do Mundo ressaltaram o foco, devido aos "bilhões de reais gastos em novos estádios em vez de serviços públicos".

A BBC falou sobre a primeira vítima das manifestações, um rapaz de 18 anos que morreu atropelado por um carro que atravessou uma barricada na cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Com Agêcia Estado

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