Lideranças em Porto Alegre são jovens, universitários e militantes experientes

Por iG São Paulo |

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Dois dos mais atuantes estudam na Federal do Rio Grande do Sul, conhecem detalhes da tarifação do transporte e têm outras bandeiras

Arquivo pessoal
Nathalia Bittencurt, 22 anos, diretora do DCE da UFRGS

“A gente aqui se vê como um espelho para o restante do País”, diz Nathália Bittencurt, uma das mais assíduas e engajadas manifestantes do Bloco de Luta pelo Transporte Público, como se chama o movimento pela redução da passagem em Porto Alegre. Presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), 22 anos, militante desde o ensino médio, ela é um exemplo do perfil dos jovens que puxam os protestos na capital gaúcha.

O Bloco não tem lideranças definidas, mas agrega outras entidades que têm, como é o caso do DCE. “A gente ajuda na mobilização, no material, vai nas escolas. O diretório tem bastante protagonismo nessa causa”, comenta Nathália. Ela mesma foi a todas as assembleias, exceto uma, quando esteve em São Paulo, na semana passada, apoiando a causa dos manifestantes paulistanos.

Estudante do Dom João Becker, colégio estadual tradicional, ela começou a militar quando era do grêmio contra a então governadora Yeda Crusius (PSDB). Agora faz o 4º semestre de jornalismo na UFRGS e é bolsista de iniciação científica. Solteira, gasta a maior parte do tempo livre com os colegas da universidade e militância. “Fora isso, eu diria passear no parque”, afirma.

Também entre os mais ativos está Lucas Maróstica, 22 anos, que cursa Ciências Sociais na mesma Federal do Rio Grande do Sul e, paralelamente, Jornalismo na PUC-RS e faz estágio na Câmara Municipal de Porto Alegre. Ele é líder do Coletivo Juntos, fundado em 2011, que tem o transporte público entre as principais causas. Homossexual, começou a militância dentro da PUC por democracia universitária, passou para os direitos gays e hoje também acompanha de perto questões ambientais.

Ambos não têm influência familiar política, mas recebem apoio em suas decisões. Ele começou a se engajar depois que deixou a casa dos pais em Guaporé e foi morar na capital. Nathália é órfã de mãe e o pai não se envolve. “Meu irmão também é universitário, mas não participa.”

Arquivo pessoal
Lucas Maróstica, 22 anos, estudante da UFRGS e da PUC-RS e líder do Coletivo Juntos

Os jovens acompanham com entusiasmo o momento de gigantismo das manifestações. “Existe muita coisa no Brasil que está errada e a gente fica indignado. Como aceitar que Renan e Sarney foram presidentes da república (em exercício) nos últimos dois anos e Marco Feliciano preside a Comissão de Direitos Humanos?”, questiona Lucas. Eles acham positivas as causas que atraíram para os protestos mais pessoas. “Acho ótimo que existam outras reivindicações. Dificilmente a gente consegue ganhar bastante pessoas para ir para as ruas e há outras questões que precisariam. As pessoas não estão trazendo temas contraditórios, quem quer que baixe a tarifa também é contra os gastos absurdos da Copa e o Feliciano”, diz Nathália.

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