Em Brasília, jovem de 17 anos mobilizou mais de 10 mil pessoas

Por Luciana Lima - iG Brasília | - Atualizada às

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Aluno de escola pública, Jimmy reuniu participantes por meio das redes sociais e foi junto com a mãe, uma ex-cara-pintada, ao protesto que ocupou a laje do Congresso Nacional

Arquivo pessoal
Jimmy é filho de ex-cara-pintada

A manifestação que tomou na noite da última segunda-feira toda a área externa do Congresso Nacional e o ato que ocupou as imediações do Estádio Mané Garrincha no fim de semana ocorreram em grande parte graças à mobilização de um jovem de apenas 17 anos. Estudante secundarista, Jimmy Carreiro Lima foi um dos principais líderes do protesto que chamou pelas redes sociais cerca de 10 mil pessoas que participaram da passeata e da concentração no Congresso.

Jimmy tem a fala calma, cabelos longos e está no segundo ano do ensino médio. Ele estuda no Centro de Ensino do Setor Leste, considerado a melhor escola pública do Distrito Federal. No ano que vem, pretende cursar Psicologia na Universidade de Brasília (UnB). Sua atividade política teve início no grêmio estudantil logo quando chegou à escola pública.

“Ele fez o ensino fundamental na escola particular, onde não tinha nada disso. Depois, eu o matriculei na escola pública onde ele passou a fazer parte do grêmio estudantil. Foi aí que eu identifiquei no meu filho uma grande liderança”, disse a mãe de Jimmy, Janaína de Morais Carreiro, que acompanhou o filho em todo protesto da última segunda-feira.

Antes do início da passeata que terminou no Congresso, sua grande preocupação era em ter certeza de que o protesto seria totalmente pacífico. “Se houver alguém com bandeira de partidos políticos, não vamos hostilizar. Vamos pedir para guardarem as bandeiras e continuarem na manifestação”, disse.

Flores

Jimmy conta que decidiu chamar o protesto pela internet depois de ver as imagens dos confrontos com a polícia nas primeiras manifestações em São Paulo. “Aquilo me deixou chocado”, afirmou o jovem. “Aqui em Brasília, cantamos o hino nacional de joelhos, oferecemos flores e, mesmo assim, os policiais jogaram bombas, gás de pimenta e atiraram com balas de borracha”, reclamou. “Eles (os partidos) podem participar, mas não nos representam”, disse. “A gente elege quem vai nos representar, mas quando essa pessoa que a gente elegeu chega ao poder, se esquece de ouvir o povo”, disse Jimmy. “O que queremos é demonstrar um protesto pacífico”, ressaltou.

A mãe de Jimmy tem 37 anos e disse ter levado um susto com a manifestação no sábado, bem na hora da abertura da Copa das Confederações. Mesmo assim, não deixou de apoiar o filho.

Separada do pai de Jimmy, precisou explicar o apoio. “Quando o pai dele viu o noticiário me ligou perguntando se eu sabia onde estava nosso filho. Disse que sim. Apavorado, ele disse que nosso filho poderia ficar cego, caso uma bala de borracha o atingisse no olho. Eu respondi que era um risco e que ele estava ciente disso. Não tenho como segurar um jovem de 17 anos com toda essa vontade dentro de casa”, disse Janaína, ao mesmo tempo, em que ajudava nas negociações com a polícia.

Janaína ajudou na organização de todo o protesto. “Eu sou da organização. Eu sou a mãe do Jimmy”, repetia, ao negociar com policiais de trânsito o percurso da manifestação. O policial respondeu: “Eu entendo a preocupação da senhora e quero lhe assegurar que nossa orientação é dar segurança. Por isso, queremos que os manifestantes ocupem só uma faixa da pista”, disse o policial.

“Não podia proibir meu filho de fazer isso. Seria contra tudo que acredito”, disse Janaína, que se orgulha de ter sido “cara-pintada” em 1992, na série de manifestações que pediam o impeachment do então presidente da República, Fernando Collor de Mello.

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