PM usa bomba de gás e bala de borracha contra protesto em frente a estádio no DF

Por Nivaldo Souza - iG Brasília | - Atualizada às

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Grupo protestava no Mané Garrincha contra gastos para realizar Copa das Confederações; estudante foi socorrido após ser atingido na perna por um tiro de bala de borracha

Manifestantes iniciaram um protesto neste sábado (15) contra os gastos para a realização da Copa das Confederações. O grupo se concentrava, por volta das 12h, próximo ao acesso de torcedores ao Estádio Nacional Mané Garrincha, onde acontece a abertura da competição com o jogo Brasil e Japão. Policiais montaram um cordão de isolamento e chegaram a lançar bombas de gás lacrimogênio e spray de pimenta. O ato terminou com 29 pessoas detidas, sendo 19 adultos e 10 menores de idade, segundo a Secretaria de Segurança Pública.

Veja como foi a ação da PM:

Com a proximidade do jogo, pouco antes das 15h, a tensão aumentou. Os PMs foram para cima dos manifestantes para dispersar o protesto dando tiros de balas de borracha e tiveram o reforço da Tropa de Choque. Nem os jovens que estavam sentados no chão pedindo não violência foram poupados e acabaram sendo pisoteados. Houve ainda registro de atropelamentos feitos pela Polícia Militar. O estudante Gabriel Germano, de Ciência Ambientais da UnB, chegou a ser socorrido ao levar um tiro de bala de borracha na perna. Ele disse que o policial mandou que corresse - 'Corre, moleque, corre!' - e, quando ele se virou para atender à ordem, o PM atirou na sua perna.

Assista ao depoimento do estudante:

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Segundo os bombeiros, uma outra estudante foi socorrida após levar um tiro de rapão na cabeça. Segundo a Polícia Militar, 500 pessoas participavam do ato. Já a organização calcula em 2 mil pessoas. Até às 15h, foram registradas duas prisões de manifestantes.

Por volta das 13h, o coronel Hilda Ferreira havia dito que os manifestantes poderiam permanecer em frente ao estádio. "Eles [manifestantes] poderão permanecer aqui e nós vamos proteger a sociedade que comprou o ingresso para assistir ao jogo", disse. A polícia montada havia chegado ao local para reforçar a segurança. No total, 3.200 homens fazem a segurança. Por causa do protesto, duas entradas do estádio tiveram de ser fechadas, mas os torcedores têm sido orientados para ingressar por outros portões e não houve problemas para entrar no estádio.

Protesto contra gastos públicos com a Copa teve confronto e oito presos. Foto: ReutersCerca de 500 pessoas protestam, em frente ao Mané Garrincha, em Brasília, contra os gastos na Copa das Confederações. Foto: Raul Spinassé/A Tarde/Futura PressCom cartazes e faixas, os manifestantes gritam para que não haja violência, e que o ato é pacífico. Foto: Raul Spinassé/A Tarde/Futura PressCartaz ironiza PM de São Paulo, que prendeu recentemente ativistas que carregavam vinagre para diminuir efeitos da bomba de gás lacrimogêneo. Foto: William Volcov/Brazil Photo PressHomens da tropa de choque montaram um cordão de isolamento para impedir a passagem dos manifestantes. Foto: Rodrigo Villalba/FuturapressPor causa do protesto, duas entradas do estádio tiveram de ser fechadas. Foto: William Volcov/Brazil Photo PressMovimento quer abrir os olhos da população para aplicação de recursos públicos. Foto: William Volcov/Brazil Photo PressNo Mané Garrincha acontece a abertura da competição com o jogo Brasil e Japão. Foto: William Volcov/Brazil Photo PressEstudante, que não quis se identificar, argumenta que governo está maquiando os problemas do Brasil. Foto: Raul Spinassé/A Tarde/Futura Press

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Os protestos também foram marcados em Belo Horizonte e Rio de Janeiro e visam denunciar violações aos direitos humanos e a falta de controle com os gastos públicos. Um exemplo é o estádio Mané Garrincha, orçado inicialmente em R$ 671 milhões e no qual foi gasto aproximadamente R$ 1 bilhão.

Na sexta-feira, aproximadamente 200 pessoas integrantes do movimento fecharam o Eixo Monumental e queimaram pneus. A Polícia foi chamada, mas não houve confronto. Ao final dos protestos, uma pequena comitiva foi recebida por membros do Governo do Distrito Federal (GDF). Segundo informações da Polícia Militar do GDF, serão efetuadas prisões em caso de abusos por parte dos manifestantes.

Houve também manifestações na avenida Paulista, em São Paulo. Duas faixas da via foram interditadas em função dos protestos. O ato também reuniu cerca de centenas de pessoas. A organização afirma que pelo menos 100 mi pessoas, apenas em São Paulo, foram despejadas por causa de obras da Copa do Mundo.

Com informações da Agência Brasil

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