Em reunião com índios, governo diz que povos serão ouvidos em obras futuras

Por Agência Estado |

compartilhe

Tamanho do texto

Indígenas pediram suspensão dos estudos de viabilidade técnica da hidrelétrica do rio Tapajós e das obras das usinas de Teles Pires e de Belo Monte, no rio Xingu

Agência Estado

Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
Cerca de 140 indígenas mundurukus se reúnem com o ministro Gilberto Carvalho e representantes de outros órgãos do governo para discutir a suspensão de empreendimentos energéticos na Amazônia

O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, afirmou nesta terça-feira (4) a representantes indígenas que o governo vai consultá-los sobre empreendimentos futuros que venham a ser feitos no País, porque é isso que determina a Organização Internacional do Trabalho (OIT). "Mas vocês não vão ter direito a veto", disse o ministro. "Não posso mentir. Não vou dizer que vamos parar a usina (hidrelétrica) de Belo Monte. Nem tem como parar. O Brasil precisa daquela energia e já foram gastos bilhões. Só queremos corrigir o que tiver de errado nela", afirmou Carvalho, durante a audiência no Palácio do Planalto.

Dilma tenta adiar desapropriações de terras sob disputa de índios e ruralistas no País

Nos últimos dias, indígenas acamparam no canteiro de obras da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, num protesto pela suspensão dos estudos e obras nos Rios Xingu, Tapajós e Teles Pires, exigindo a realização de consulta prévia em relação ao projeto, conforme prevê a convenção 169 da OIT. No caso de Tapajós, o ministro disse os povos indígenas serão consultados, mas não prometeu nada. "O governo quer mostrar que é possível conviver com hidrelétrica e manter vida na floresta."

Durante o encontro, Gilberto Carvalho lamentou ainda a morte do índio terena, ocorrida na semana passada, em Mato Grosso do Sul. Ele disse que o ocorrido foi um "erro". "Quando um juiz de primeira instância mandou a reintegração de posse, a presidente (Dilma Rousseff) falou para o ministro aqui que não devia ter obedecido, porque para fazer uma operação como aquela lá fatalmente poderia dar em uma morte", afirmou o ministro.

Investigação: Corpo de índio morto durante desocupação passará por nova autópsia

Disputa: Justiça dá novo prazo para que terenas deixem fazenda onde índio foi morto

Belo Monte: PF diz não ter recebido pedido de apoio para tirar índios de obra

Segundo ele, o governo está fazendo investigação sobre o ocorrido. "Queremos ir até o fim com esta investigação." O índio terena Oziel Gabriel, de 35 anos, foi morto durante a reintegração de posse de uma fazenda em Sidrolândia (MS), determinada pela Justiça Federal.

Indígenas

Mais de 140 índios que ocupavam desde 27 de maio um canteiro de obras em Belo Monte participaram da reunião com representantes do governo, do Ministério Público Federal, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

A desocupação do canteiro só ocorreu na manhã desta terça (4), após os índios aceitarem a proposta do governo de uma reunião em Brasília. Os índios foram transportados em dois aviões da Força Aérea Brasileira (FAB).

*Com informações da Agência Brasil

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas