Índios invadem mais uma fazenda no Mato Grosso do Sul

Por Agência Estado |

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Área ocupada durante a madrugada é parte de terra indígena tradicional, segundo estudo da Funai

Agência Estado

Uma nova invasão a propriedade rural foi realizada nesta sexta-feira, 31, pelos índios da etnia terena. Desta vez o alvo foi a Fazenda Esperança, no município de Aquidauana, no Pantanal do Mato Grosso do Sul (MS). Um grupo com 500 indígenas entrou durante a madrugada em uma das quatro áreas em que fazenda se divide. A propriedade tem 12 mil hectares e os indígenas estão dispostos a permanecer no local indefinidamente.

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Os líderes dos invasores alegam que a exemplo dos patrícios de Sidrolândia, a leste do MS, que foram retirados sob força policial das fazendas Cambará e Buriti nessa quinta-feira, 30, também estão reivindicando as terras dos terenas ocupadas pelos brancos. As áreas fazem divisa com a Aldeia Ipegue, onde 6 mil os índios vivem em 6 mil hectares. Eles pedem a ampliação para 33 mil hectares. Segundo o Conselho Indigenista Missionário, um estudo antropológico da Fundação Nacional do Índio (Funai) já reconheceu que essa seria a área indígena tradicional. 

O dono de um dos imóveis existentes na área reconhecida pela Funai como território indígena recorreu à Justiça Federal e conseguiu interromper o processo demarcatório. O caso aguarda a decisão final do Supremo Tribunal Federal (STF).

O grupo de manifestantes indígenas é composto por 500 homens de 7 aldeias existentes na região: Tauney, Colônia Nova, Água Branca, Imbiruçu, Bananal, Lagoinha e Ipeque, cujas lideranças convocaram os demais manifestantes para a ocupação da Fazenda Esperança, em Aquidauana. 

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A Fundação Nacional do Índio (Funai) ainda não se pronunciou sobre a nova ocupação. O Centro de Operações da Polícia Militar (PM) em Aquidauana informou à Agência Brasil que, até as 12h, não tinha sido acionado, mas policiais do destacamento da PM na cidade já se deslocaram para o local a fim de verificar a real situação.

Sidrolândia
Em Sidrolândia, o ambiente é de tranquilidade, depois do conflito armado entre policiais militares, federais e índios, que culminou com a morte do índio Oziel Gabriel, de 36 anos. O corpo da vítima foi sepultado na manhã desta sexta-feira, 31, na Aldeia do Meio, vizinha das fazendas Cambará e Buriti, palcos do conflito armado.

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Reintegração de posse em Sidrolândia, em Mato Grosso do Sul, terminou com uma morte

Perfurações provocadas por tiros de balas de borracha e outros ferimentos foram constatados em 4 índios durante a confusão. Um deles, Laucir Marques Pereira, de 39 anos, ainda está internado no hospital de Sidrolândia, aguardando transferência para Campo Grande. Conforme informações do hospital, o indígena não corre risco de morte, mas precisa dos cuidados de um ortopedista.

A Polícia Federal também registrou ferimentos em três dos agentes que atuaram nas fazendas durante o cumprimento de reintegração de posse do terreno. A Polícia Militar não registrou ferimentos na tropa, mas, a exemplo da PF, instaurou inquérito para descobrir quem disparou o tiro fatal. As duas polícias afirmam que os índios utilizaram balas letais.

As investigações começaram nessa quinta-feira, quando um grupo de 14 índios adultos e três menores foi preso pela PF. Os adultos foram transportados para a superintendência do órgão em Campo Grande e os menores entregues na Delegacia de Sidrolândia. Os 14 índios foram indiciados por desobediências a ordem judicial. Eles deixaram a sede da PF por volta de 3h da madrugada.

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