Feira do Rolo já foi alvo de 20 operações em dois anos

Por Wilson Lima - iG Brasília |

compartilhe

Tamanho do texto

Governo do Distrito Federal defende uma operação organizada para acabar com o comércio ilegal em Ceilândia que, até o momento, não tem data para acontecer

A administração da cidade satélite de Ceilândia, distante 26 quilômetros de Brasilia, admite que nos últimos dois anos foram realizadas pelo menos 20 operações, todas sem sucesso, para tentar acabar com o comércio ilegal de itens furtados na chamada Feira do Rolo.

Nesta segunda-feira, a reportagem do iG revelou detalhes deste comércio ilegal. Entre vendedores comuns e feirantes, assaltantes conseguem repassar, à luz do dia, produtos furtados. Entre esses itens, estão celulares, aparelhos eletrônicos e até bicicletas. Segundo a administração do governo do Distrito Federal, houve ocasiões em que a Polícia Militar flagrou a comercialização de drogas na Feira do Rolo.

Saiba mais: No centro do poder, feira de produtos roubados opera livremente

Conforme informações do administrador de Ceilândia, Ari de Almeida, é necessária uma ação conjunta entre algumas secretarias do governo, como a Secretaria da Ordem Pública e Social (Seops), a Agência de Fiscalização (Agefis), além da Polícia Militar e Polícia Civil para acabar, definitivamente, com a Feira do Rolo. “Após cada operação, as pessoas voltam. É muito complicado. Você precisa colocar um policial e agentes de plantão lá depois das operações”, disse Almeida, por meio de sua assessoria de imprensa.

Feira do Rolo é realizada todo domingo, ao lado de uma feira permanente em Ceilândia. Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAVende-se de tudo no local, desde roupas a até eletrônicos. Alguns itens ficam expostos no meio da rua. Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAAlém de ser conhecida pela venda de produtos roubados, a Feira do Rolo também traz muita confusão ao trânsito de Ceilândia. Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAVendedores se concentram no canteiro central da Quadras Norte O (QNO) 11 e 13. Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAFeira do Rolo mistura-se a feirantes legalizados na cidade satélite de Ceilândia. Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIA


Na semana passada, começou a ser articulada uma nova operação de combate ao comércio na Feira do Rolo. Mas não existe uma data específica para que essa operação aconteça. A administração de Ceilândia acredita que essa será a última operação contra a Feira.

Em apenas uma destas 20 operações (considerada uma das maiores) contra o comércio ilegal, realizada em janeiro do ano passado, 115 pessoas foram conduzidas à delegacia para explicar a origem dos produtos sem nota fiscal. Destas, 15 foram detidas pelo furto de 51 aparelhos celulares.

Leia também:

Base do Samu presta socorro irregular em feira popular de São Paulo

Feira da Madrugada completa 12 anos com polêmicas e lucro de 400% em SP

Prefeitura de SP determina o fechamento temporário da Feira da Madrugada

Essa Feira do Rolo é realizada há aproximadamente 20 anos e é conhecida das autoridades locais. Hoje, ela funciona a 150 metros de uma delegacia. A Secretaria de Segurança informou que qualquer ação mais incisiva seria extremamente traumática justamente pelo fato de que existem pessoas trabalhando normalmente como ambulantes no local. A feira acontece todo o domingo, nas Quadras Norte O (QNO) 11 e 13 de Ceilândia.

Hoje, a Feira do Rolo de Ceilândia já inspirou dois movimentos de venda e troca por meio do Facebook. Um deles tem 2,5 mil membros e o outro, mais 1,4 mil membros. Nas feiras do rolo virtual, ao contrário do que ocorre nas presenciais, os administradores das comunidades deixam claro que é proibida a venda de produtos furtados, drogas ou armas. “O objetivo desse grupo é ajuda-lo a se desfazer daquilo que você não mais utiliza trocando por alguma coisa útil”, descrevem os organizadores de um destes grupos pela internet.


Leia tudo sobre: robautofeira do roloceilândiacomércio informalbrasília

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas