Brasil faz ação para atender garotos haitianos que viajam em busca dos pais

Por Vasconcelo Quadros - iG São Paulo |

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Meninos com idades entre 10 e 16 anos que vieram ao Brasil em busca da família estão à espera de notícias da família, que em muitos casos, já migraram para a Guiana Francesa

Menores haitianos cujas famílias se alojaram na Guiana Francesa estão entrando no Brasil por Tabatinga, no Amazonas, fronteira com a Colômbia. Preocupado com o fenômeno, o Ministério da Justiça organizou uma força tarefa para resolver o caso de pelo menos dez garotos com idade entre 10 e 16 anos que entraram desacompanhados da família e atualmente estão em abrigos da prefeitura na cidade.

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Gleilson Miranda/Secom/Divulgação
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“Esse é um esforço adicional para absorver os imigrantes. Temos de localizar os pais, comprovar a paternidade e promover a reunificação da família”, diz o secretário Nacional de Justiça, Paulo Abrão. A entrada de haitianos por Tabatinga não estava nos planos do governo brasileiro, que havia concentrado os serviços públicos em Brasiléia, no Acre, fronteira com a Bolívia.

Nestes casos, o Ministério da Justiça tem duas opções: concede o visto especial de permanência no Brasil se a família quiser ingressar pedindo asilo ou devolve os menores ao país onde a família já estiver estabelecida.

“Se os pais já estiverem no Brasil, a reunificação da família é imediata”, diz o secretário. Até agora apenas um caso envolvendo menor foi resolvido: localizada, a mãe viajou a Tabatinga e levou o garoto de volta para a Guiana Francesa. Abrão diz que a nova demanda tem exigido esforço conjunto dos ministérios da Justiça e do Itamaraty na interlocução com embaixadas brasileiras nos países vizinhos na fronteira amazônica.

A entrada de menores desacompanhados é um subproduto do fluxo que tem trazido ao Brasil uma média de 30 haitianos por dia. Desde que o país foi abalado pelo terremoto que matou cerca de 250 mil pessoas, deixando desabrigados outros 1,5 milhão, em 2010, o número de haitianos que chegam ao Brasil tem aumentado dia a dia. Hoje já somam 9.740.

Paulo Abrão acha que o fluxo pode aumentar depois que o governo brasileiro derrubou a portaria que estabelecia a concessão de uma cota mensal de 100 vistos pela embaixada brasileira em Porto Príncipe. Agora não há mais limites. O secretário afirma que o Brasil vai honrar o compromisso de ajudar na acomodação dos haitianos que fogem da miséria. Ele garante que o país tem capacidade de emprego para absorver os estrangeiros.

De Brasiléia, no Acre, porta de entrada, os haitianos têm sido encaminhados para trabalhar na construção civil em estados do Centro Oeste ou em frigoríficos da região Sul. Segundo o secretário, há disponibilidade de emprego e a absorção tem sido praticamente imediata. Eles recebem um visto especial de permanência.

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