Irmão de PC Farias nega envolvimento no crime durante 2º dia de júri popular

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Para a família de Suzana Marcollino, ex-namorada do tesoureiro, Augusto Farias seria o mandante do assassinato. "Nunca imaginei ser imputado de matar meu ente querido"

O ex-deputado Augusto Farias, irmão de PC Farias, negou na manhã desta terça-feira (7) ter envolvimento com a morte do empresário e de sua namorada, Suzana Marcolino. "Nunca imaginei vir a esta terra e ser imputado de matar meu ente querido", declarou o ex-deputado durante depoimento no segundo dia do julgamento dos quatro policiais acusados de envolvimento no crime.

Recomeça júri sobre a morte de PC Farias e Suzana Marcolino em Alagoas
Testemunha: 'O que não tem utilidade a gente joga fora', diz homem que limpou quarto de PC
Em Brasília: Ex-líder de Collor, Renan diz que não acompanha julgamento

Itawi Albuquerque/Futura Press
Augusto Farias presta depoimento nesta terça-feira ao lado dos réus, em Alagoas

Para a família de Suzana Marcolino, Augusto Farias seria o mandante do assassinato do irmão. O ex-deputado chegou a ser indiciado, mas o inquérito foi arquivado em 2002 por falta de provas. O casal foi encontrado morto a tiros no dia 23 de junho de 1996, na casa de praia do empresário, em Guaxuma, no litoral norte de Alagoas.

No Fórum: Irmã de Suzana Marcolino não acredita em tese de crime passional
Mais: Mansões de PC Farias viram pontos turísticos em Alagoas

Augusto Farias foi o primeiro a chegar ao local do crime, depois de ser avisado pelo policial militar Reinaldo Correia de Lima Filho, um dos réus. "Eu me questiono: e se não tivesse sido eu o primeiro a chegar? Se tivessem sido o Carlos Gilberto, Luiz Romero, Cláudio ou o Rogério, eles ainda iriam me colocar como suspeito?", questionou, se referindo aos demais irmãos do empresário Paulo César Farias.

Itawi Albuquerque/Futura Press
Acusados da morte de PC Farias e Suzana Marcolino no banco dos réus ontem (6)

O ex-deputado afirmou ainda que o empresário sabia que era traído por Suzana Marcolino. Segundo ele, Caio Ferraz do Amaral, a quem o ex-deputado chamou de procurador da família em São Paulo, disse que havia contratado um detetive para investigar a vida de Suzana e uma suposta traição em São Paulo. "Em seguida, entregou um relatório ao Paulo [César]", informou.

Augusto Farias declarou que havia conversando com o irmão sobre seu relacionamento com Suzana, que não teria o apoio da família. "Cabia a mim, como irmão, como amigo, dizer a opinião da família sobre a Suzana", ressaltou. "Eu disse a ele [Paulo César] quem ela era."

Antes do ex-deputado, sua ex-namorada Milane Valente de Melo prestou depoimento. Ao júri relatou ter sido ameaçada dias depois da morte do casal. Milane afirmou ainda que o ex-deputado Augusto Farias paga os honorários do advogado de defesa dos quatro réus e pelo menos dois deles trabalham atualmente para o ex-parlamentar.

A tese sustentada pela defesa é a mesma da polícia alagoana, de que Suzana matou PC Farias e depois cometeu suicídio. Nessa segunda, Augusto Farias afirmou acreditar na inocência dos policiais.

Já o Ministério Público acredita em duplo homicídio e acusa os quatro réus de coautoria do crime e omissão, já que faziam a segurança do local onde o casal morreu. Para a promotoria, a morte de PC Farias foi "queima de arquivo". O empresário foi tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernando Collor (PTB), era réu em processos por crimes financeiros e foi o centro das denúncias de corrupção que resultaram no impeachment de Collor.

Outras testemunhas

Além do Augusto César Farias e Milane Valente de Melo, outras cinco testemunhas já foram ouvidas neste segundo dia de julgamento. Na segunda-feira, foram ouvidas duas testemunhas: o caseiro da casa de praia onde o empresário foi morto, Leonino Carvalho, e o garçom Genival da Silva França, que serviu a última refeição do casal.

De acordo com a assessoria de imprensa do Tribunal de Júri de Maceió, a previsão é que o julgamento prossiga até as 21h, uma hora a mais do que ontem, por determinação do juiz Maurício Breda, da 8ª Vara Criminal. Ao longo de todo o julgamento, que deve terminar na sexta-feira (10), serão ouvidas 25 testemunhas, entre acusação e defesa.

*Com Agência Brasil e Agência Estado

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas