iG vence prêmio de jornalismo de Saúde com matérias sobre hipertensão pulmonar

Por iG Rio de Janeiro | - Atualizada às

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Reportagens mostraram que SUS oferece apenas dois de 12 medicamentos disponíveis a portadores de doença rara e potencialmente letal. Abraf oferece distinção

Divulgação
Raphael Gomide, do iG, venceu o Prêmio Abraf de Jornalismo em Saúde

O iG conquistou neste sábado o Prêmio Abraf de Jornalismo. A distinção é conferida a reportagens sobre hipertensão arterial pulmonar (HAP), doença rara e incapacitante, potencialmente fatal e ainda muito desconhecida, até da medicina. A hipertensão pulmonar estreita os vasos sanguíneos do pulmão e dificulta a respiração, causando cansaço por leves esforços. Pode ser causada por fatores genéticos, problemas cardíacos congênitos e doenças, como esquistossomose.

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O trabalho premiado com o primeiro lugar no concurso foi a série de matérias do repórter Raphael Gomide sobre o tema, publicada em 29 de outubro de 2012. Três trabalhos receberam a distinção, aberta para internet, jornais e revistas. Os outros vencedores foram a série de três reportagens “Sopro de Vida, do Jornal do Almoço, de Roberta Salinet e equipe, da TV RBS (RS), e “Dona de casa encontra no trabalho voluntário formas de superar grave enfermidade”, da Supren TV, de Brasília.

Leia ainda: "Vivo cada dia como se fosse o último", diz Carol, 20, com hipertensão pulmonar

A escolha do júri – composto por profissionais de comunicação, medicina e direito – foi baseada na abrangência e grau de exclusividade dos trabalhos.

Promotora da distinção, a Associação Brasileira de Amigos e Familiares dos Portadores de Hipertensão Pulmonar Arterial (Abraf) defende os direitos dos pacientes, colabora com pesquisas para a cura, auxilia os portadores e promove o conhecimento sobre a doença junto ao público em geral.

Leia também: Todos remédios de hipertensão pulmonar iniciam avaliação em 2012, diz ministério

Nas reportagens, Gomide revelou que os portadores de hipertensão pulmonar só dispõem no SUS de dois dos 12 remédios existentes para tratar da doença e mostrou o drama do dia a dia de pessoas que tentam ter uma vida normal, enquanto sofrem para conseguir fazer tarefas simples, como tomar banho, fazer a cama, abaixar-se ou subir uma rampa ou escada de poucos degraus. O iG mostrou que o pleito dos pacientes e médicos por mais medicamentos encontra resistência na burocracia do Estado. Nesses casos, os pacientes e suas famílias se unem em uma rede de solidariedade para ajudar uns aos outros, com doações de remédios e aparelhos. Após as matérias, o Ministério da Saúde prometeu iniciar avaliação de novos medicamentos.

O iG apresentou ainda os depoimentos de pessoas com casos graves da doença, como o de Ana Caroline Sousa, 21, que contava viver cada dia “como se fosse o último”, e o de Rosana Zenardi, que se prepara para fazer um transplante duplo de coração e pulmões a fim de se curar da doença. Em abril, Carol não resistiu a mais uma internação e morreu, no Ceará.

A premiação ocorreu no Hotel Bourbon Ibirapuera, em São Paulo, e integrou um conjunto de atividades e palestras em comemoração ao Dia Mundial da Hipertensão Arterial Pulmonar, 5 de maio, este domingo. Médicos e pacientes falaram sobre tratamentos da doença, exercícios de fisioterapia, situações em que o transplante (de pulmões ou de pulmões e coração) é necessário e discutiram os avanços da hipertensão pulmonar no Brasil e na América Latina.

No iG há três anos, Raphael Gomide, recebeu também, em 2012, o Prêmio Estácio de Jornalismo, vencido em suas duas edições pelo iG, na categoria internet, com a série de reportagens “Falta de estrutura impõe fracasso à medicina e engenharia da UFRJ em Macaé”, e o Prêmio Direitos Humanos do Movimento de Justiça e Direitos Humanos-RS, com a matéria "Justiça do Rio garante pensão de R$ 43 mil para filha de desembargador".

Gomide, 36, já ganhara o Grande Prêmio Lorenzo Natali de Jornalismo, o Lorenzo Natali (1º lugar na América Latina) – ambos conferidos pela União Europeia –, o Prêmio Mundial de Direitos Humanos da Anistia Internacional e o Embratel de Reportagem, entre outros.

Hipertensão Arterial Pulmonar

A HAP tem causas diversas, que podem levar à morte pela falência do coração superexigido para bombear o sangue por veias hipertensas dos pulmões. A pessoa pena com o cansaço, as dores no peito e nas costas, diante das limitações impostas a tarefas simples do dia a dia, como caminhar ou subir escadas ou ladeiras. Andar 30 metros pode levar 6 minutos. Muitos usam oxigênio diariamente, antes de dormir.

A piora progressiva muitas vezes acaba por confinar o paciente à sua casa, restringindo não só as atividades mais simples como também o trabalho e o convívio social. Isso leva muitos à depressão e ao isolamento.

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