MST faz ações em memória das vítimas de Eldorado dos Carajás

Por Agência Estado |

compartilhe

Tamanho do texto

Há 12 anos, 21 sem-terra foram mortos em massacre no Pará. Mobilizações, que ocorreram em várias partes do País, também cobram a aceleração da desapropriação de terras

Agência Estado

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fez manifestações pelo Brasil nesta quarta-feira, 17, em memória dos 21 sem-terra assassinados no massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, em 17 de abril de 1996. As mobilizações desta quarta-feira por todo o País fazem parte também da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária e cobram a aceleração da desapropriação de terras e o assentamento de 150 mil famílias acampadas. O movimento afirma que está organizado em cerca de 1,8 mil cidades.

Segundo a assessoria de imprensa do órgão, até às 13h ainda não era possível contabilizar o número de cidades que tiveram ou ainda estão realizando ações. Um balanço dos protestos deve ser divulgado ainda nesta quarta-feira.

Um dos principais protestos registrados foi em Pernambuco. Segundo Jaime Amorim, da direção do nacional do MST e representante local, o movimento realizou 12 pontos de bloqueios em estradas do Estado. A ação teve início às 9h e durou aproximadamente uma hora. "A simbologia da manifestação é protestar contra a impunidade do massacre de Carajás e cobrar da presidente Dilma (Rousseff) ações pela reforma agrária, que está parada", afirmou Amorim, ressaltando que os protestos reuniram aproximadamente 2,5 mil pessoas. Em Pernambuco há 163 acampamentos organizados pelo MST, com mais de 16 mil famílias.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Pernambuco, via twitter, por volta das 12h desta quarta-feira, 17, todas as rodovias do Estado já estavam liberadas. No Estado de São Paulo, várias cidades registraram manifestações. Em Sorocaba, 150 famílias fecharam a rodovia Raposo Tavares, na altura do quilômetro 166 (Itapetininga) por 21 minutos, em homenagem aos 21 sem terra assassinados em Carajás.

Em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, a rodovia Anhanguera também foi interditada no quilômetro 340 por outras 150 famílias. Segundo a assessoria do MST, durante a ação, que também durou 21 minutos, os sem-terra doaram alimentos "como forma de dialogar com a sociedade e demonstrar as conquistas da Reforma Agrária".

No Vale do Paraíba, as famílias ligadas ao MST ocuparam o escritório do Instituto Biosistêmico (IBS). Já na região de Andradina, os trabalhadores optaram por uma manifestação diferente e doaram sangue nos municípios de Araçatuba e Fernandópolis.

No Rio Grande do Sul, cerca de 1,5 mil manifestantes ocuparam a secretaria de educação em Porto Alegre e, segundo a assessoria do MST, até às 12h30, ainda se encontravam no local. Uma comissão de representantes dos movimentos foi recebida pela Secretária adjunta Maria Olalia, diz o MST.

Em Minas Gerais, cerca de 200 sem-terra bloquearam o Anel Rodoviário de Belo Horizonte por 40 minutos. Em nota, Ênio Bohnenberger, da direção estadual do MST, reforçou que o ato visa "protestar contra a morte de 21 pessoas em Carajás, no Pará, em um crime que completa 17 anos, e também cobramos a punição de Adriano Chafik, réu confesso do massacre de Felisburgo, que matou cinco trabalhadores em 2004".

Segundo o MST, o julgamento do acusado de ser o mandante do assassinato de trabalhadores em Felisburgo, e do acusado de ter colaborado para o crime, Calixto Luedy, está marcado para o dia 15 de maio, em Belo Horizonte.

Leia tudo sobre: msteldorado do carajás

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas