Brasil pede ajuda para combater 'coiotes' e surto de imigrantes do Acre

Por Agência Estado |

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Foi pedido que os países Haiti, Peru, Equador e Bolívia intensifiquem a fiscalização nas suas fronteiras para impedir os intermediários que trazem haitianos até a fronteira com o Brasil

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Douglas Engle/The New York Times
Hotel Brasiléia, no Acre, é usado por haitianos para abrigo e cultos religiosos

O Itamaraty credita ao anúncio feito pelo Equador de que iria dificultar a entrada de haitianos pelas suas fronteiras o novo surto de imigrantes que tem chegado recentemente ao Acre. Em uma reunião convocada nesta segunda-feira (15) pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, com os embaixadores do Haiti, Peru, Equador e Bolívia, foi pedido que os países intensifiquem a fiscalização nas suas fronteiras para impedir a ação dos chamados coiotes, os intermediários que trazem os haitianos até a fronteira com o Brasil.

O mesmo pedido foi feito a esses países em maio do ano passado, quando começou a crise da imigração haitiana. Até agora, apenas o Peru adotou o visto e dificultou a passagem. A rota, então, passou para Equador e Bolívia que, por razões ideológicas, preferem não adotar o visto.

Leia mais: Haitianos revivem no Acre a miséria de um país

"E eu estou intensificando os contatos no nível diplomático para que nos coordenemos com os nossos vizinhos - hoje mesmo eu falei com o chanceler do Peru - com vistas a lidar com essa situação, que tem também uma dimensão de Direitos Humanos, de proteção dos direitos dos haitianos, na medida em que são intermediadores, os coiotes, que estão se beneficiando de uma situação de vulnerabilidade de seguimentos da população haitiana que procura melhores condições de vida", afirmou Patriota. 

Entenda: Rota de imigração com entrada pelo Acre é ampliada

Uma força-tarefa do governo federal, incluindo um diplomata, está indo para o Acre tentar resolver o problema dos haitianos que já estão lá. O governo ainda começa a discutir, no entanto, como tentar, mais uma vez, interromper o fluxo.

Solidariedade

No ano passado, o governo federal tomou a decisão de conceder 1,2 mil vistos especiais de trabalho para haitianos que procurassem a embaixada em Porto Príncipe, a capital do país. Foi anunciado que quem chegasse sem o visto não seria admitido. A procura pelos caminhos via Amazônia, no entanto, nunca, cessou, e a política humanitária brasileira, que permite a concessão de visto a qualquer pessoa que entrar no país fugindo de uma crise, termina por permitir a entrada dos haitianos.

"Há um espírito solidário em relação ao Haiti de coordenação estreita com os países que têm servido de trânsito para esse fluxo migratório. Queremos encontrar o caminho de evitar esses aumentos repentinos e, digamos assim, introduzir previsibilidade no fluxo, na medida em que continue havendo um interesse pela população haitiana de emigrar para o Brasil", disse Patriota.

Uma reunião virtual, por e-mail, foi feita nesta segunda entre os membros do Conselho Nacional de Imigração para discutir propostas sobre o que fazer com mais essa crise. Entre as questões discutidas estão a possibilidade de aumentar a quantidade de vistos concedidos por ano e se é necessário reforçar a segurança nas fronteiras. Até o início da noite, no entanto, nada havia sido acertado.

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