Marinha cria simulador de navio, de olho em know-how para o submarino nuclear

Por Raphael Gomide iG Rio de Janeiro |

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Força se uniu a universidades e empresas brasileiras para dominar a tecnologia de construção e fazer o primeiro equipamento nacional militar e civil

A Marinha do Brasil apresentou na LAAD (Feira Internacional de Defesa e Segurança) um simulador da cabine de comando de navio, desenvolvido nos últimos 18 meses, em parceria com a UFRJ, UFF e USP e com empresas brasileiras de tecnologia.

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De acordo com o capitão-de-corveta Serpa, um dos coordenadores do projeto, a Marinha, principal interessada, promoveu a integração entre as entidades e assumiu o papel gerencial do grupo. O domínio da tecnologia de simulação de navios é considerado fundamental pela Força, com vistas a desenvolver capacidade para futuramente fazer um simulador de submarino nuclear, projeto em que o Brasil já investiu mais de US$ 1,1 bilhão.

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“É um aprendizado para assumir o simulador do submarino nuclear. O conceito é o mesmo, e o aprendizado nesse processo vai nos ajudar muito”, disse o engenheiro de computação Serpa, mestre em sistemas de computação. A Marinha enviou outro engenheiro, o capitão-de-corveta Cláudio Coreixas, para fazer mestrado em modelagem e simulações na Naval Postgraduate School (NPS), da Marinha dos EUA.

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O simulador, que só será finalizado de fato no fim de 2013, serve tanto para a Marinha de Guerra quanto para a Marinha Mercante. “Toda a capacidade é dual. Podemos usar tanto para fins militares como civis. Passamos da projeção do navio mercante, mais lento, para o navio-patrulha, mais ágil e com mais manobrabilidade e que dá tiro”, explicou Serpa.

Raphael Gomide
Capitães-de-corveta Coreixas e Serpa desenvolveram o simulador de navio da Marinha

O equipamento foi montado na feira de Defesa e ocupa uma sala. O “comandante” do navio fica de pé no “passadiço”, com o timão, a manete de propulsão – espécie de acelerador - no painel à frente, com o console de instrumentos de navegação eletrônica, o Cisne, já antes desenvolvido pela Marinha. Há uma carta náutica com GPS e um simulador de radar militar de navegação, entre outros dispositivos tecnológicos.

A projeção esférica mostra a imagem perfeita, em 180 graus do mar, na entrada da Baía de Guanabara, com o morro do Pão de Açúcar, cartão postal do Rio, na proa e à esquerda do capitão. Com simples toques, é possível observar a embarcação de diferentes perspectivas: de cima, de bombordo (lado esquerdo), boreste (lado direito), entre outras possibilidades.

Uma das principais vantagens de a Marinha produzir o simulador é que as empresas fabricantes não transferem tecnologia, o que manteria a dependência da Força. Além disso, um simulador Classe A – o melhor nível – custa em torno de R$ 15 milhões.

O equipamento atualmente em produção pela Marinha é nível C, mais simples e apenas com os requisitos mínimos para o praticante, porém os militares estimam que até 2015 será possível desenvolver o Classe A. “O software já foi criado, agora basta aperfeiçoá-lo e replicar. A Marinha e o Brasil já dominam o processo tecnológico para construir o simulador. Juntamos as mentes e o conhecimento”

Todo o processo de desenvolvimento até agora consumiu cerca de R$ 2,6 milhões. Mais R$ 4 milhões devem ser gastos para se obter o simulador Classe A. Uma vez obtido, o custo cai muito, porque bastará replicá-lo.

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