Supostamente, eles confundiram o veículo onde estava a vítima com outro, da mesma marca e cor, que vinham perseguindo, de um criminoso envolvido em sequestro relâmpago

Agência Estado

A Polícia Militar do Distrito Federal afastou três policiais que estavam na viatura de onde partiu o tiro que matou, supostamente por engano, o trabalhador José Chaves Alves Pereira, de 27 anos, na cidade satélite de Brazlândia, a 30 quilômetros do Plano Piloto.

Eles confundiram o veículo com outro, da mesma marca e cor, que vinham perseguindo, de um criminoso envolvido em sequestro relâmpago. Um dos policiais envolvidos na perseguição disparou a arma. O tiro passou de raspão na cabeça da motorista e atingiu o passageiro do lado, que foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu nesta quinta-feira.

Os três policiais envolvidos na perseguição vão responder a Processo Administrativo Disciplinar, além de inquérito militar e podem ser punidos com penas que vão de suspensão à expulsão. A Polícia Civil também abriu inquérito criminal e o autor do disparo deve ser indiciado por homicídio culposo - sem intenção de matar. "A PM reconhece o erro de procedimento e pede desculpas à sociedade e à família da vítima", afirmou o comandante-geral da corporação, coronel Suamir Santana.

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Ele explicou que os três policiais estão abalados com o incidente trágico e foram encaminhados ao Centro de Assistência Social para receberem atendimento psicológico. "É um procedimento padrão nesses casos de erros, quando há vítimas fatais", explicou o comandante, acrescentando que toda a corporação ficou abalada com o caso. "Adotamos todas as medidas para esclarecer os fatos com transparência e evitar que erros desse tipo se repitam", acrescentou. Atingida de raspão, a motorista do veículo, Karla Pamplona Gonçalves, de 22 anos, recebeu curativo e foi liberada.

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Investigações preliminares indicam que os PMs perseguiam um Fiat vermelho, roubado por três bandidos envolvidos numa série de sequestros relâmpago no DF. Sequestro com restrição de liberdade é uma das modalidades de crime que mais cresceram na capital do País nos últimos anos e seu combate virou uma prioridade da Secretaria de Segurança Pública. Na semana passada, uma professora sequestrada no estacionamento de um shopping foi estrangulada pelo criminoso, após reagir, no parque da cidade, para onde foi levada.

O carro procurado havia sido roubado de um estudante universitário, vítima de sequestro relâmpago na cidade satélite de Taguatinga. Na hora da abordagem, um dos policiais, aparentemente por despreparo ou nervosismo, precipitou-se e fez o disparo. Um terceiro passageiro, Michael de Oliveira, que vinha no banco de trás, nada sofreu.

O policial, cuja identidade foi mantida em sigilo pelo comando da PM, disse em depoimento que a intenção era atirar no pneu para parar o veículo, mas acionou o gatilho de forma errada no momento do manuseio. A explicação não convenceu a Delegacia de Polícia de Brazlândia, que mandou a arma para ser submetida a perícia no Instituto de Criminalística. Três pistolas e uma carabina que estavam com os demais policiais na viatura também foram apreendidas.

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