Estado registra mais quatro ataques entre a noite de ontem e a madrugada de hoje elevando a 111 o número de ocorrências associadas a atos violentos

Agência Estado

A Força Nacional de Segurança Pública reforçará as ações de combate à violência em Santa Catarina e ficará presente no Estado noventa dias. A portaria autorizando o reforço na segurança local foi assinada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e atende a pedido feito pelo governo catarinense. O prazo de permanência das tropas pode ser prorrogado, caso seja necessário.

Leia também: Apesar de anúncio de medidas contra violência, ataques continuam em Santa Catarina

"As ações serão desenvolvidas a fim de atuar no âmbito das atividades operacionais de manutenção da ordem pública, visando a prevenir um possível agravamento da situação nas áreas de conflito do Estado de Santa Catarina", cita a portaria.

Desde o fim de janeiro, o Estado sofre uma série de ataques violentos em mais de 30 cidades. Ao todo já foram registrados este ano mais de 100 ocorrências. Em novembro do ano passado, o Estado sofreu uma primeira onda de atentados em 16 municípios.

Mais ataques

Com mais quatro ataques registrados em Santa Catarina desde a noite de ontem (17), subiu para 111 o número de ocorrências associadas à série de atos violentos no estado, que começaram no dia 30 de janeiro. Pela primeira vez, houve registros nos municípios de Rio Negrinho, norte catarinense, e Água Doce, meio-oeste do estado. Ao todo, foram registrados ataques em 36 cidades.

De acordo com a Polícia Militar catarinense, três ônibus foram incendiados, na madrugada de hoje (18), no estacionamento da empresa Alissontur, na Rua João da Rosa, bairro São Pedro, em Rio Negrinho. Dois dos coletivos foram totalmente consumidos pelas chamas. Câmeras do sistema de monitoramento mostraram a presença de três homens no local. Eles tinham os rostos cobertos, o que impossibilitou a identificação. Na ação criminosa, a fiação elétrica dos ônibus foi danificada, provocando curto-circuito. Os suspeitos fugiram do local em seguida. O dono da empresa deparou-se com os veículos incendiados e conseguiu controlar as chamas de um dos ônibus atingidos, que ficou parcialmente queimado.

Também na madrugada, um carro foi parcialmente queimado, em Joinville, norte do estado. O veículo estava estacionado dentro do terreno de uma residência, na Rua Francisco Estácio Martins, loteamento Ana Júlia, no bairro Paranaguamirim. Segundo a polícia, uma garrafa PET com combustível foi colocada embaixo do motor. Ninguém ficou ferido.

Em Água Doce, uma base do 26° Batalhão da PM foi alvo de um tiro que atingiu a porta de vidro da unidade, pouco depois das 22h de ontem (17). No momento do disparo havia um policial militar no interior da base, que não se feriu. Segundo a polícia, nenhum barulho de carro ou moto foi ouvido, o que pode indicar que o criminoso estaria a pé. Esse foi o primeiro ataque registrado no município de Água Doce.

Em Palhoça, um carro estacionado na Avenida Aniceto Zacchi, no bairro Ponte do Imaruim, foi totalmente incendiado, por volta das 23h de ontem. De acordo com a polícia, dois homens que estavam em outro veículo jogaram gasolina no alvo e atearam fogo, fugindo em seguida. Pessoas que estavam no local disseram à polícia terem visto uma motocicleta no momento da ação criminosa.

No sábado (16), em coletiva de imprensa em Florianópolis, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, informou que a série de ações violentas motivou os governos federal e estadual a transferir 40 detentos de várias unidades prisionais catarinenses para penitenciárias federais de segurança máxima em outros estados.

Na ocasião, Cardozo explicou que não seriam dados detalhes para não colocar em risco as ações de transferência que ainda estão em curso. Pelo mesmo motivo, o ministro evitou falar sobre outras ações além das que já foram anunciadas, como a atuação da Força Nacional no estado e o reforço da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

*Com AE e Agência Brasil

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.