Esta foi a maior operação do tipo feita em conjunto entre Estado e União. Ministro da Justiça afirma que governo federal vai disponibilizar quantas vagas forem necessárias

Ministro da Justiça Eduardo Cardozo em coletiva de imprensa com o governador do Estado de SC, Raimundo Colombo
Futura Press
Ministro da Justiça Eduardo Cardozo em coletiva de imprensa com o governador do Estado de SC, Raimundo Colombo

Os 106 atentados ocorridos desde o dia 30 de janeiro, em Santa Catarina, motivaram os governos federal e estadual a transferirem 40 detentos de várias unidades prisionais catarinenses para penitenciárias federais de segurança máxima em outros estados. Os presos foram transferidos na manhã deste sábado (16), de penitenciárias de seis cidades de Santa Catarina para presídios federais, na maior operação do tipo feita em conjunto entre Estado e União.

Os transferidos foram apontados pelas autoridades como responsáveis pela onda de atentados ocorridas no Estado. Eles foram transportados em dois aviões Hércules, que deixaram o Estado neste sábado. Os mesmos aviões haviam trazido ontem os integrantes da Força Nacional de Segurança, que ajudaram na operação. Por questão de segurança, as autoridades ainda não revelaram o Estado dos presídios para onde esses presos foram transferidos.


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“Este não é o número definitivo. O governo federal disponibiliza [ao estado] quantas vagas forem necessárias. Sejam pessoas que já estão presas e que estejam ou que continuem comandando ações de dentro dos presídios estaduais, sejam novos presos, há uma firme decisão dos governos estadual e federal - com o apoio do Poder Judiciário e do Ministério Público- para que haja estas remoções”, disse o ministro durante coletiva de imprensa na manhã de hoje (16), em Florianópolis.

Segundo Cardozo, a transferência dos presos contou com um forte aparato de segurança. Até mesmo aviões Hércules da Força Aérea Brasileira (FAB) foram usados. Ele explicou que não forneceria detalhes sobre para onde os 40 presos estão sendo levados a fim de não colocar em risco as ações de transferência que ainda estão em curso. Pelo mesmo motivo, o ministro evitou falar sobre outras ações além das que já foram anunciadas, como a atuação da Força Nacional no estado e o reforço da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

“Encaminhamos homens da Força Nacional que ficarão sob comando do coronel Nazareno (comandante da Polícia Militar de Santa Catarina), justamente para que possamos ter um comando único das ações que estamos realizando”, acrescentou Cardozo, garantindo que o estado receberá quantos policiais da Força Nacional precisar.

Mandados de prisão

Além da transferência dos presos, as polícias fizeram uma série de operações para cumprir 70 mandados de prisão. Florianópolis e outras 11 cidades foram alvos das operações. Até o fim da manhã, 25 pessoas tinham sido presas, incluindo uma advogada acusada de passar informações aos criminosos e de integrar a facção. Outros 45 mandados foram cumpridos para presos, que foram acusados de dar as ordens para os ataques dentro dos presídios.

A maioria dos presos foi acusada de levar informações do interior dos presídios para as ruas. Cinco são advogados. Simone Gonçalves Vissoto, detida em Campecheno sul da Ilha, Gustavo Gasparino Becker e Francine Bruggenna, presos em São José, na grande Florianópolis, foram acusados de associação o crime organizado. Os demais presos são familiares e amigos dos presos que aproveitavam as visitas para repassar as ordens da facção.

Uma das operações estratégicas ocorreu neste sábado no Morro do Horácio, local onde o traficante Rodrigo da Pedra, considerado um dos principais responsáveis pela crise, domina os negócios. A mulher de Rodrigo, acusada de comandar o tráfico no Morro, alvo principal das buscas, não foi encontrada. Familiares do traficante foram detidos para interrogatório.

Cardozo negou que exista a possibilidade de a transferência fortalecer os criminosos e aumentar a rede de contatos deles com outras facções. Em 2010, quando a existência da facção foi assumida em Santa Catarina, 40 presos foram transferidos para presídios federais. Depois eles voltaram para as penitenciárias do Estado. E os ataques passaram a ocorrer. "Não existe nenhuma informação de que presos ampliam seus contatos em presídios federais. Lá eles são isolados e seus contatos são cortados", disse o ministro.

(Com informações da Agência Brasil e Agência Estado)

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