Incêndio que começou na terça-feira foi contabilizado como mais uma ocorrência da série de ataques iniciada no último dia 30 em diferentes cidades do Estado

Agência Brasil

Bombeiros de Navegantes, no litoral norte de Santa Catarina, ainda faziam operação rescaldo o fim da tarde desta quinta-feira do incêndio que consumiu um galpão de reciclagem na última terça-feira (5). O incêndio foi contabilizado como mais uma ocorrência da série de ataques iniciada no último dia 30 em diferentes cidades do estado. Em novembro do ano passado, o galpão foi alvo dos incendiários em outra onda de atentados. Dessa vez, o local ficou completamente destruído.

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Bombeiros combatem fogo quase dois dias após o início do incendio em um galpão de reciclagem em Navegantes
Agência Brasil
Bombeiros combatem fogo quase dois dias após o início do incendio em um galpão de reciclagem em Navegantes

O sargento Gilmar Prestes Ribeiro, que coordena a operação, disse hoje (7) que a dificuldade para apagar as chamas se dá por causa do grande volume de plástico. “O fogo continua sendo propagado por baixo da estrutura de concreto [que encobre parte do material destruído]. A única forma de controlar é separando o material aos poucos, por isso pedimos uma máquina [trator] à prefeitura”, explicou. Navegantes conta com efetivo de dez bombeiros, que se revezam no galpão, informou o sargento.

O estabelecimento, de aproximadamente 1.000 metros quadrados, fica próximo a residências e a uma creche municipal. A empacotadora Marilene dos Santos, 41 anos, mora atrás do galpão e reclama da fumaça ainda muito forte que toma conta do local. “Tenho uma netinha e ontem ela passou o dia fora daqui. Eu mesma estou sentido a garganta ruim”, declarou. Foi ela que ligou para os bombeiros para alertar sobre o fogo na madrugada de quarta-feira. “Ouvimos um estrondo e depois vimos o fogo alto”, relatou.

À frente do depósito onde ficavam guardados os materiais recicláveis morava um funcionário da empresa. Ele não ficou ferido, mas perdeu todos os objetos que havia na casa. “Ele está abrigado na casa de outro funcionário até a gente resolver”, informou Sancler Santos, 36 anos, filho do dono do estabelecimento. Ele acredita que as duas ocorrências no galpão estão relacionadas aos ataques no estado. “A gente não tem problema com ninguém. Não dá pra saber o que aconteceu de fato. O prejuízo foi grande”, declarou.

Na madrugada de hoje (7), mais um atentado ocorreu em Navegantes. Por volta da meia-noite, houve incêndio em um ferro-velho, onde três veículos foram queimados. Com a cidade sendo alvo dos ataques no últimos dias, moradores adotaram medidas de prevenção. “Muita gente não deixa mais o carro na rua. No início da noite, todo mundo coloca na garagem”, relatou o vidraceiro Vanderlei Mafra, 40 anos. Ele também diminuiu as saídas à noite com a família. “A gente evita. Se decidir ir a algum baile, algo assim, tem que ficar atento e deixar o carro em lugar seguro”, explica.

A cabeleireira Rosângela de Sousa, 34 anos, adotou alguns cuidados. “Os clientes continuam vindo. Está tudo normal, mas eu não fico mais até tarde com o salão aberto. Mas não é de agora, tem a ver também com os assaltos que estavam acontecendo aqui”, explicou. A atendente de uma padaria, Tatiana Edemir, 25 anos, também não percebeu mudanças na movimentação do estabelecimento. “Ninguém deixou de fazer nada. O movimento é igual”, declarou.

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