Morte por asfixia em incêndios é rápida, diz especialista em queimados. Nos sobreviventes, danos pulmonares podem surgir até 72 horas após o incêndio

A fumaça resultante dos incêndios é capaz de provocar morte rápida nas vítimas, pois intoxica o corpo humano em questão de segundos e acarreta falência dos órgãos antes mesmo dos efeitos da queimadura no corpo.

Nos sobreviventes, os danos respiratórios também são perigosos e, neste caso, podem aparecer tardiamente. Em até 72 horas, os sintomas da chamada “pneumonia química” precisam de cuidados intensivos e podem representar uma das principais demanda dos hospitais envolvidos no atendimento dos pacientes do incêndio de Santa Maria (Rio Grande do Sul).

As explicações são do médico Luiz Philipe Molina, responsável pelo atendimento de queimados do Hospital 9 de Julho, em São Paulo.

“O monóxido de carbono (CO) é tóxico e é a principal substância resultante das queimadas. Em alta concentração no ambiente, ele é ainda mais perigoso. O CO tem enorme capacidade de se ligar à hemoglobina, a molécula do sangue que transporta o oxigênio ao organismo”, explica o médico.

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“Como as hemoglobinas ficam lotadas e ocupadas pelo monóxido, não há transporte de O2 ao corpo. Isso danifica todos os órgãos do aparelho respiratório. A traqueia, por exemplo, fica obstruída. Por isso, a asfixia é uma das sequelas mais rápidas em situação de incêndio”, afirma Molina.

Segundo o médico, os sobreviventes também podem ter danos pulmonares após a exposição ao CO e os sintomas podem ser ainda mais tardios.

“Por causa da lesão provocada no aparelho respiratório, o pulmão perde a capacidade de expelir as substâncias danosas. Por isso, em até 72 horas, os pacientes podem desenvolver a chamada pneumonia química. O tratamento consiste em desintoxicar o corpo do CO excessivo, por meio de respiradores artificiais que levam oxigênio para o corpo”, completa o médico.

Este quadro pulmonar é uma das principais preocupações do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que podem surgir agora em Santa Maria. Em entrevista coletiva concedida no local da tragédia, Padilha informou que já foram cinco pacientes internados, sem nenhum dano físico, mas com quadro de pneumonia tóxica, conforme noticiou a BBC.

Respiradores

De acordo com a prefeitura de Porto Alegre, a Secretaria Municipal de Saúde da capital gaúcha enviou à Santa Maria 12 respiradores artificiais para o atendimento destes pacientes. O Hospital de Clínicas de Porto Alegre também disponibilizou a estrutura de leitos e ventiladores artificiais para o acolhimento desta demanda.

Veja imagens que marcaram a tragédia em Santa Maria:

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