Dois presos são assassinados em penitenciária de João Pessoa

Por Agência Brasil | - Atualizada às

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Corpos foram encontrados no Pavilhão 4 com perfurações realizadas com "armas brancas improvisadas". Unidade prisional tem capacidade para 650 detentos, mas abriga 900

Agência Brasil

Dois presos foram assassinados domingo (6) à tarde, no interior da Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, em João Pessoa, capital da Paraíba. Conhecida como Presídio do Roger, a unidade prisional tem capacidade para 650 detentos, mas abriga 900.

Segundo a assessoria da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap), o crime ocorreu após o fim do horário de visitas, por volta das 16h. Os corpos foram encontrados no Pavilhão 4, quando os agentes penitenciários acompanhavam o retorno dos detentos às celas. De acordo com a secretaria, não houve motins ou qualquer tumulto.

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Acionados para reforçar a segurança, policiais do Grupo Penitenciário de Operações Especiais (Gpoe) e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) revistaram todo o pavilhão em busca de armas.

As mortes foram causadas por perfurações realizadas com “armas brancas improvisadas”, segundo a assessoria. De acordo com a imprensa paraibana, um dos mortos teria sido degolado, mas a secretaria não confirma a informação. A Polícia Civil instaurou um inquérito para identificar os assassinos e apurar as causas do crime.

A secretaria também promete abrir, ainda hoje, uma sindicância interna para checar os fatos. Mesmo sem muitos detalhes sobre a ocorrência, o órgão trata as mortes como “atípicas”, já que os dois mortos, segundo a assessoria, pertencem a uma mesma facção criminosa, a chamada Al-Qaeda.

O grupo é uma das três principais facções criminosas que a secretaria estadual reconhece disputar o domínio do tráfico, entre outros crimes, na Paraíba, sobretudo na periferia da região metropolitana de João Pessoa e de Campina Grande – segunda maior cidade do estado. As outras duas facções são Estados Unidos e a ramificação paraibana do Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa criada em São Paulo, mas que já expandiu a atuação para outras unidades da Federação.

Em fevereiro de 2011, após inspecionar a unidade, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recomendou que a penitenciária fosse desativada por falta de condições mínimas para abrigar os presos. No relatório final do mutirão carcerário realizado no estado, o CNJ aponta que, além de as instalações serem “muito antigas, precárias e sem manutenção”, 28 presos haviam sido mortos nos 18 meses anteriores à inspeção, feita em janeiro de 2011.

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