'É ridículo dizer que o País corre risco de racionamento', diz Dilma

Presidenta admitiu novos riscos de interrupção de energia elétrica, mas rejeitou o termo 'apagão'; para Dilma, empresas de energia não investiram em manutenção

iG São Paulo | - Atualizada às

A presidenta Dilma Rousseff disse nesta quinta-feira (27) que acha "ridículo" dizer que o País corre o risco de racionamento de energia. Segundo ela, há novos riscos de interrupção de energia elétrica, mas rejeitou o termo "apagão".

Segundo ela, as empresas de energia não investiram adequadamente na manutenção do sistema elétrico durante anos, mas, a partir de agora, o quesito será melhor fiscalizado. Ainda segundo a presidenta, há recursos suficientes para usar a manutenção sem deixar de ampliar o sistema. "Eu acho ridículo dizer que o país corre risco de racionamento", disse Dilma durante café da manhã com jornalistas.

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Presidência da República
Presidenta Dilma Rousseff participa de café da manhã com jornalistas


Em relação às interrupções de energia recentes, que deixaram milhões de pessoas sem luz, Dilma criticou a tentativa de colocar a culpa em fenômenos naturais, como raios. Segundo ela, se houve interrupção, houve falha humana. "No dia que falarem que ( houve interrupção de energia, porque ) caiu um raio, vocês gargalhem”, ironizou.

“Raio cai todo dia. Um raio não pode desligar o sistema. Se cai, é falha humana. Não é sério dizer que o sistema caiu por causa de um raio”, disse Dilma mostrando fotos de satélites mapeando a constante incidência de raios no território nacional nos últimos dias.

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Dilma disse que o sistema elétrico deve ser “implacável” contra interrupções de energia e o País não pode aceitar conviver com essa situação, porque muitas pessoas perdem equipamentos elétricos, além de outros prejuízos. Segundo ela, o sistema elétrico está sujeito a “estresse”, mas tem que estar preparado. “Tem que ser resistente ao raio, isolar e recuperar. Tem que ter bloqueio, estar blindado.”

A presidenta também atribuiu a "falha humana" a falta de luz que atingiu, na noite passada, o Aeroporto do Galeão , no Rio de Janeiro. "O sistema elétrico do Galeão inteiro terá de ser trocado. No Rio de Janeiro, sempre que a temperatura passa de 40 (graus), a Light tem problema."

Ela afirmou, ainda, que o governo investirá na manutenção da rede, em 2013, e lembrou que, antigamente, todos os recursos eram destinados somente à transmissão e à geração de energia por falta de verba. "Não tinha dinheiro, não tinha tarifa. Você faz o quê? Não tem mágica. Agora vamos fazer as duas coisas porque temos dinheiro. É bastante recente que voltamos a investir em hidrelétricas", comentou, citando as usinas de Santo Antônio e Jirau.

A presidenta usou, ainda uma expressão mineira para dizer que o Brasil tem condições para aplicar a verba nessa área. "Estamos saindo ( da fase ) da mão para a boca", disse.

Falácia

Sem citar diretamente a polêmica travada com o PSDB por causa da redução do preço da luz, Dilma afirmou ser "uma falácia" dizer que seu governo queria romper contrato com as concessionárias de energia.

Empresas de Minas Gerais, São Paulo e Paraná - Estados comandados pelo PSDB -, além de Santa Catarina, recusaram o acordo proposto pela presidente sobre renovação de concessões e diminuição da tarifa, sob a alegação de que o governo queria romper contratos e fazer "cortesia com chapéu alheio".

"Este País não rompeu contratos", disse Dilma. "Isso é uma falácia. Não há nenhuma obrigação de renovação", completou, em referência ao acordo com as concessionárias de energia.

Sucessão

Dilma evitou falar sobre sucessão presidencial . Ela repetiu a expressão usada por ela desde que chegou ao Planalto: “Sobre sucessão, não falo nem amarrada."

“Se eu falasse sobre isso, ao fim de dois anos de meu governo, estaria antecipando o fim do meu mandato. Eu vou governar até o dia 31 de dezembro de 2014”, reforçou.

Com Luciana Lima, iG Brasília; Agência Estado e Agência Brasil

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