Polícia Federal prende 11 em ação contra tráfico internacional em sete Estados

Operação prevê o cumprimento de 22 mandados de prisão e outros 60 de busca no Paraná, Santa Catarina, Bahia, Pará, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo

iG São Paulo | - Atualizada às

Após dois anos de investigações, a Polícia Federal desarticulou nesta sexta-feira (30) uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de drogas, em especial crack e cocaína. A base da quadrilha era Cascavel, no oeste do Paraná. Até o fim da tarde foram cumpridos 11 dos 22 mandados de prisão e 60 de busca e apreensão. Entre os detidos está Gilmar dos Santos Arruda, suspeito de pertencer à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

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A operação batizada de Vera Cruz foi desenvolvida simultaneamente no Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Pará, e contou com o apoio no território paraguaio da Secretaria Nacional Antidrogas. De acordo com a Polícia Federal, a organização criminosa montou o núcleo de comando em Cascavel, que fica próximo à fronteira com o país vizinho.

A partir da cidade paranaense, a quadrilha negociava a venda de drogas para outros Estados do Brasil, especialmente Santa Catarina, Bahia, Pará, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, onde foram cumpridos os mandados de prisão e de busca e apreensão. O grupo tinha um patrimônio estimado em R$ 20 milhões.

A polícia informou que a quadrilha dispunha de aproximadamente R$ 10 milhões como capital de giro para a compra e venda de drogas. O delegado-chefe da Delegacia da Polícia Federal de Cascavel, Fábio Simões, disse que os criminosos não ostentavam riqueza e tinham hábitos simples para não chamar a atenção.

De acordo com as investigações, a organização teria se iniciado com o contrabando de mercadorias do Paraguai e há cinco anos migrado para o tráfico internacional de drogas. Alguns integrantes adquiriram propriedades rurais, máquinas agrícolas e até cavalos de raça. Em Catanduvas, cidade a 40 quilômetros ao sul de Cascavel, os chefes da quadrilha teriam comprado uma fazenda de cultivo de soja e milho.

Todos os bens pertencentes aos acusados foram bloqueados pela 1ª Vara da Justiça Federal de Cascavel. "Desde que iniciamos as investigações já foram apreendidas, em posse desse grupo, cerca de 1,3 tonelada de crack e cocaína e três toneladas de maconha", afirmou o delegado-chefe.

No fim da tarde desta sexta-feira, a Polícia Federal de Cascavel divulgou o balanço da operação. Além das 11 pessoas presas - 6 na região de Cascavel, 2 em Santa Catarina, 2 em São Paulo e 1 no Pará -, foram apreendidos 8 tratores, 1 ceifadeira, 1 retroescavadeira, 10 cavalos manga larga (Pará), 10 carros, 3 armas e R$ 50 mil em dinheiro, além de computadores e documentos diversos. Os bens retidos na região de Cascavel foram levados à sede da PF e os presos encaminhados para a 15ª SDP (Subdivisão Policial).

Terno e gravata
De acordo com as investigações da Polícia Federal de Cascavel, o transporte de drogas pela organização criminosa era em veículos preparados com fundos falsos dentro do Paraguai. Na maioria das vezes, a quadrilha optava por carros de luxo. A sofisticação era tanta que alguns desses automóveis tinham o registro do próprio motorista que transportava a droga para os vários Estados brasileiros. Eles viajavam vestidos de terno e gravata, na tentativa de enganar a polícia.

Negócios em família
A quadrilha começou a ser desmantelada em abril deste ano, quando quatro pessoas foram presas no Paraguai. Entre elas Willian Leonardo Pinto, que estava com 90 quilos de cocaína. Ele é filho do chefe da organização criminosa, José Antônio Pinto. Pai e filho moram em Cascavel. De acordo com a Polícia Federal, o entorpecente vindo do Paraguai abastecia as facções criminosas do PCC e o Comando Vermelho. O delegado-chefe da divisão de operações da Delegacia da PF em Cascavel, Martin Purper, afirmou, durante entrevista coletiva, que ao menos três integrantes do grupo, com mandados de prisão já expedidos, podem estar no Paraguai. Isso inclui o líder, Almir José Pinto.

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