Onda de violência em Santa Catarina leva corporação a tomar medida "prevista nas normas"

Agência Estado

A onda de violência em Santa Catarina levou a Polícia Militar a suspender as férias de alguns policiais em Florianópolis e pelo menos 15 deles já voltaram ao trabalho na manhã deste domingo. Eles começaram a ser avisados por telefone na tarde de ontem. O Major João Carlos Neves, responsável pela Comunicação Social da PM em Florianópolis, informou, porém, que a designação não é do Comando da PM.

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"Cada comandante de batalhão conhece bem sua corporação, faz uma análise técnica e pode requerer as habilidades de policiais em especial, eles têm autonomia para isso", explicou Neves. "Essa retirada de policiais de suas férias está dentro das normas da corporação. Apenas policiais em licenças especiais não poderiam ser chamados ao trabalho nestes casos", salientou. "Vivemos um período conturbado e alguns sacrifícios têm que ser feitos", acrescentou.

Esta foi a noite mais tranquila desde que começaram os ataques em Santa Catarina, na segunda-feira.

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Sob condição de anonimato, um dos policiais que foram retirados de suas férias explicou que não houve revolta entre a corporação, pelo contrário. "Somos policiais e temos que estar sempre prontos para o nosso trabalho. Não podemos virar as costas para a população em um momento como este", declarou.

A esposa de outro policial que também voltou ao trabalho na manhã deste domingo - e que também pediu para não ser identificada -, disse que ficou preocupada, porque, segundo ela, o foco dos ataques agora são os PMs. "Temos uma filha pequena e só não me sinto mais ameaçada porque moro em condomínio fechado. Se morássemos em uma casa, eu ficaria muito mais preocupada em ficar sozinha com minha filha", explicou.

"Mas esse é o trabalho do meu marido e eu entendo perfeitamente o que deve ser feito nessa situação", desabafou. "Só não vamos falar por enquanto para mãe dele, porque ela sofre do coração."

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