Polícia prende 27 suspeitos de ataques em Santa Catarina

Entre os detidos, 15 são menores de idade que teriam participado dos casos de incêndio a ônibus e depredação do patrimônio

Agência Estado | - Atualizada às

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Futura Press
Ônibus é incendiado na Avenida Ivo Silveira em Florianópolis (SC), na noite de terça-feira (13)

Trinta e seis pessoas foram detidas desde o fim da tarde de ontem (13) por suspeita de envolvimento nos ataques registrados em cidades de Santa Catarina, segundo balanço preliminar divulgado hoje (14) pela Secretaria de Segurança Pública do estado. Do total, 27 foram presas em flagrante por estarem com material capaz de provocar incêndios, como estopa e galões de gasolina. Entre os detidos, 15 eram menores.

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Desde o começo da semana, diversos ônibus foram incendiados na capital catarinense e em outros municípios. Viaturas e prédios das polícias Civil e Militar foram atacados e cerca de 20 atentados já foram registrados. A origem dos crimes ainda não foi esclarecida pela polícia.

Linha de investigação

A chefe do Centro de Comunicação Social da Polícia Militar (PM) de Santa Catarina, coronel Claudete Lehnkuhl, ressaltou que as autoridades não descartam nenhuma linha de investigação. Embora tenha evitado comentar se os ataques são uma represália de integrantes de organizações criminosas a supostos maus-tratos praticados por agentes policiais no interior dos presídios, ela lembrou que no fim do mês passado a esposa do diretor da Penitenciária de São Pedro de Alcântara, em Florianópolis, Carlos Antônio Alves, foi assassinada, o que também poderia ser um ato de retaliação dos criminosos.

“Eu prefiro não comentar este assunto, porque as investigações da Polícia Civil ainda estão em curso. Mas é verdade que desde que começou [a onda de violência] em Santa Catarina, houve manifestações tanto de presos, como nas portas das penitenciárias por parte de parentes dos detentos e em outros locais sobre um suposto excesso de violência contra eles. Não vamos descartar nenhuma hipótese que chegue até nós”, disse.

A coronel Claudete Lehnkuhl também ressaltou que, para coibir novos ataques, o policiamento foi reforçado no estado. Ela admitiu que a situação surpreendeu as autoridades por se tratar de uma região sem tradição de quebra da ordem pública.

“A corporação está toda em prontidão, as escalas de folga foram reduzidas, intensificamos o patrulhamento em pontos mais sensíveis e destacamos guarnições para acompanhar ônibus em locais considerados de maior risco”, explicou, lamentando os danos patrimoniais causados pela ação dos criminosos, mas destacando o fato de não terem sido registradas mortes.

A chefe do Centro de Comunicação Social da PM catarinense não acredita que as ocorrências tenham relação direta com os ataques registrados em São Paulo nas últimas semanas, quando ônibus também foram incendiados.

“É muito mais possível que o tipo de ataque praticado em São Paulo tenha apenas sido copiado por criminosos [no estado], mas não quer dizer necessariamente que criminosos de lá estejam mandando nos daqui”, disse.

Ataques

Nove menores de idade e um jovem de 18 anos foram detidos durante a madrugada em Florianópolis. Eles estavam escondidos na Comunidade Ilha Continente. O grupo foi levado para a 6 ª Delegacia de Polícia, cuja titular não quis dar informações sobre o caso.

Dois homens que estariam planejando um ataque a ônibus também foram detidos na cidade de Palhoça, vizinha a Florianópolis. Com 28 e 30 anos, eles foram pegos às 4h30 desta quarta com cinco garrafas de dois litros cheias de gasolina no bairro Ponte Imaginarium. Eles foram encaminhados para a delegacia do município.

Em Itajaí, cidade litorânea ao norte da capital, nove pessoas foram presas por volta das 23h de terça-feira (13) em duas casas do bairro de Cidade Nova. Os detidos, sendo três menores, foram pegos enquanto preparavam coquetéis molotov e portavam materiais como estopas, gasolina e garrafas.

De acordo com o delegado Rui Garcia, titular da 4 ª Delegacia Regional de Itajaí, um dos suspeitos, Valmor Bianchi Amorim, de 18 anos, confessou ter colocado fogo em dois carros nos últimos dias. "Ele disse que fez isso a mando de um tal de 'Dido', que o ameaçou de morte", explicou o delegado. A polícia não deu detalhes sobre o suposto mandante do ataque.

Com Agência Brasil

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