'A gente vê toque de recolher em outros Estados, aqui em São Paulo não'

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, nega a existência de toque de recolher na cidade após onda de violência

iG São Paulo | - Atualizada às

O Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, negou em coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira (30), toques de recolher em váriaz regiões da cidade, ontem. "Isso é boato. Não existe toque de recolher. A gente vê toque de recolher em outros Estados, aqui em São Paulo não. A polícia entra em todos os locais, não tem ninguém mandando em comunidade aqui", afirmou.

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Acompanhado pelo governador do Estado, Geraldo Alckimin (PSDB), o secretário afirmou ainda que "não têm nenhum fundamento" os boatos de que o fechamento atencipado do Shopping Aricanduva, na zona leste da cidade, às 20h de ontem, tenha sido ordenado por bandidos.

Ferreira Pinto também negou que o mesmo tenha acontecido na região de Vila Formosa, onde diversos comerciantes fecharam as portas mais cedo. "Se o comerciante acha que tem de fechar a porta por algum problemas pessoal, medo, uma temeridade maior, é uma questão subjetiva. Toque de recolher não existe", afirmou, inteirando que no Estado "bandido não é famoso".

"Aqui a polícia entra em qualquer lugar. Aqui não precisa de unidade pacificadora. Aqui não há necessidade de exército, marinha, aeronáutica para garantir eleição, porque a polícia é autossuficiente", completou.

Ferreira afirmou ainda que não recebeu e não tem necessidade de qualquer ajuda da Polícia Federal. "O que o governo federal pode oferecer é inteligência", disse. De acordo com ele, o encontro com o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, realizado no último dia 29 de julho, foi apenas uma "visita de cortesia" e nada foi oferecido.

O governador Geraldo Alckmin comentou a realização da Operação Saturação - de combate ao crime - iniciada na favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, na madrugada de ontem. Segundo ele, já foram realizadas prisões e e apreensões de drogas.

Ocupação de Paraisópolis

O governo admitiu ontem, pela primeira vez, que foi de bandidos da comunidade de Paraisópolis que partiu a determinação de executar policiais. "Dali emanaram algumas ordens de atentados contra PMs", afirmou ontem o secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, minutos antes de chegar à favela, ocupada horas antes por 600 homens da Tropa de Choque da PM. O objetivo é asfixiar o tráfico de drogas e causar prejuízos ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A ação na segunda maior favela de São Paulo deve durar pelo menos um mês. A guerra não declarada entre PCC e PM é apontada por especialistas como a principal causa do aumento de homicídios - no mês de setembro, eles cresceram 96% na capital, em comparação com o mesmo mês do ano passado. Muitas das execuções de policiais são seguidas por ações de criminosos em motos ou carros, que, mascarados, atiram indiscriminadamente contra suspeitos de usar drogas ou supostos ladrões ou traficantes. Famílias de vítimas denunciam a ação de policiais.

Oficialmente, o secretaria informa que o objetivo da operação em Paraisópolis é "combater o tráfico de drogas e diminuir roubos na região, além de dar sossego a quem vive na comunidade". Mas dados de criminalidade mostram que a região registrou apenas um assassinato no mês passado e queda de roubos e furtos, em relação a agosto.

O que torna Paraisópolis importante do ponto de vista criminal é o fato de a comunidade ter virado uma espécie de esconderijo de traficantes do PCC e ladrões que agem no Morumbi. Policiais ocuparam a comunidade após investigação que contou com grampos telefônicos e infiltração de agentes na região. Foram apreendidos 130 kg de maconha, 6 kg de cocaína, 50 frascos de lança-perfume, um fuzil. Também foi preso Edson Santos, de 31 anos, o Nenê. Ele é acusado de ser o "disciplina" do PCC em Paraisópolis, responsável pelo "tribunal do crime" na região .

Os "julgamentos" ocorriam no campo do Palmeirinha, tomado na segunda-feira (29)pela Tropa de Choque. Nenê era o braço direito do chefão do tráfico na favela: Francisco Antônio Cesário da Silva, o Piauí, preso em 26 de agosto pela Polícia Federal em Itajaí (SC).

Segundo o deputado Major Olímpio, o traficante disse aos policiais que o prenderam que a ordem da facção é matar um PM a cada integrante do PCC preso e matar dois PMs a cada bandido morto. O vereador eleito Conte Lopes (PTB) disse que ouviu a mesma informação. "Nossa área de inteligência o localizou (Piauí) e entrou em contato com a PF, que fez a prisão", explicou o secretário.

Ferreira Pinto afirmou ainda que a operação em Paraisópolis é "só a primeira de outras que devem ser feitas pela PM para combater a onda de homicídios". Mas tentou mais uma vez minimizar o poder do PCC, afirmando que o tráfico não é monopólio da facção.

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