Decisão de acabar com exigência de documento foi articulada com empresários brasileiros em São Paulo

Brasil Econômico

O Brasil será o primeiro País a ser visitado pelo presidente eleito do México, Enrique Pena Nieto, depois de sua posse, no dia 1o de dezembro. No encontro com a presidente Dilma Rousseff, previsto para janeiro de 2013, será anunciada oficialmente uma medida que simboliza a disposição do novo governo de ampliar as relações bilaterais: o fim da exigência de visto para viajantes entre os dois países.

A visita foi confirmada ao Brasil Econômico pelo futuro ministro da economia mexicano, Idelfonso Guajardo, durante o 11° Meeting Internacional, evento organizado pelo Lide (Grupo de Líderes Empresariais), que reuniu autoridades e empresários dos dois países no balneário de Punta Mita, no México.

O fim da exigência foi articulado pelo Lide e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) durante a visita do presidente eleito ao Brasil, em setembro.“Há boa disposição do setor privado brasileiro para aprofundar as relações comerciais com o México”, frisou o ministro Idelfonso Guajardo.

Por sua vez, os empresários Paulo Skaf e João Doria Jr., presidentes da Fiesp e do Lide, respectivamente, elogiaram o novo dirigente mexicano.“Pena Nieto é um jovem dinâmico e agrada. A impressão que tenho dele é a melhor possível”, disse Skaf. “Ele dará outra dinâmica para a política internacional do México, que será mais integrada com o Brasil. O visto é um elemento de desconfiança, uma perda de tempo. O novo presidente simplesmente comunicará isso ao governo dos EUA. O anterior se submeteu a pressão deles”, completou Dória.

Os empresários presentes ao evento esperam que esse gesto seja o primeiro de uma série de iniciativas para aquecer o comércio entre os dois países e eliminar barreiras protecionistas.

O maior entrave, hoje, está no setor automotivo. Em março, o governo brasileiro fixou um teto de isenção para a importação de carros do México.

Os dois países combinaram um prazo de três anos de limitação nas trocas comerciais. Pena Nieto defende maior abertura comercial. O ex-ministro do Desenvolvimento Luiz Fernando Furlan, que é presidente do comitê internacional do Lide, concordou: “Está na hora dos dois países assumirem algum risco e ter ousadia”, disse. “Por anos o Brasil teve saldos positivos com o México no setor automotivo, de autopeças e componentes. Encaro como natural que isso tenha se invertido quando a demanda brasileira cresceu.”

Ele lembra que, por outro lado, os mexicanos ainda são protecionistas no agronegócio. “O resultado do acordo automotivo do Brasil com o México foi o possível dentro da situação do momento. Nós concordamos com o acordo, que é temporário. A outra alternativa era acabar com o acordo, mas isso não seria bom para ninguém”, afirma Alejandro de La Penha, embaixador do México no Brasil.

Entre os políticos que participaram do 11° Meeting, estavam o governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, e o presidente da Câmara dos Deputados, Marcos Maia. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, era esperado, mas optou por ficar em São Paulo para ajudar na campanha de José Serra na capital, no segundo das eleições.

Até abril de 2013, a cota para isenção de taxa de importação de carros entre México e Brasil é de US$ 1,45 bilhão, dividida entre as montadoras. O Brasil manteve um saldo positivo no comércio de automóveis com os mexicanos até 2009. Desde então os resultados ficaram negativos.

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