Manifestantes saem às ruas para o 'Grito dos Excluídos'

Aparecida tem público pequeno nas atividades que ocorrem há 18 anos em contraponto às comemorações oficiais do Dia da Independência

iG São Paulo |

Manifestantes saíram às ruas de várias cidade brasileira para participar das atividades do Grito dos Excluídos,  que ocorrem há 18 anos sempre no Sete de Setembro em contraponto às comemorações oficiais.

As atividades têm como objetivo reunir movimentos sociais e organizações populares para “denunciar à sociedade que ainda não somos independentes como deveríamos”, explica Paulo César Pedrini, coordenador da Pastoral Operária Metropolitana de São Paulo. Este ano, o Grito dos Excluídos tem como tema “Queremos um Estado a serviço da nação que garanta direitos a toda população!”.

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AE
Integrantes da Central de Movimentos populares, da Frente de Luta por Moradia e de outros movimentos sociais participam do Grito dos Excluídos, em São Paulo

Duas caminhadas fizeram parte das atividades do Grito dos Excluídos na capital paulista. Um dos grupos, encabeçado pelas Pastorais Sociais, iniciou a programação com uma celebração na Catedral da Sé, no centro da cidade, por volta das 8h da manhã. O grupo coordenado pela Central de Movimentos Populares (CMP), por sua vez, concentrou-se na Praça Oswaldo Cruz, na região da Avenida Paulista, às 9h.

Aparecida

O Grito dos Excluídos reuniu aproximadamente mil pessoas no pátio do Santuário Nacional, em Aparecida, a 181 km de São Paulo. Em sua 18ª edição, o evento teve um esvaziamento, que, segundo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), deve-se a movimentos descentralizados em todo o País.

De acordo com o Bispo Dom Francisco Biasin, o esvaziamento não diminuiu a fidelidade e continua sendo ecoado pelo país. "Nosso maior desafio é ter esse grito na garganta dos jovens", disse.

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A fraca participação do público foi sentida por quem está acostumado a participar do movimento. Sérgio Adriano Barbosa, funcionário público, levou toda a família para participar do ato. "Esta é a minha terceira vez aqui e realmente está menor", comentou, afirmando que são importantes as manifestações contra a corrupção.

Participantes da 25ª Romaria dos Trabalhadores também se juntaram aos militantes do Grito dos Excluídos. Gerson Manoel dos Santos, pintor e coordenador paroquiano em Mauá (SP), disse que antigamente era mais fácil arrebanhar pessoas para a peregrinação, de cinco dias de São Paulo a Aparecida, e manifestar no pátio do Santuário.

"Continuamos lutando para que não esvazie, mas nesse ano só conseguimos vir em onze pessoas", comenta Santos, ao dizer que a cada ano diminui o número de pessoas dispostas a participar das manifestações na cidade.

Já a balconista Antonia dos Santos acredita que o esvaziamento do ato seja por conta do descrédito com os atuais políticos. "Também falta fé nas pessoas", critica.

A Igreja Católica aposta na força das redes sociais para mobilizar os jovens e reverter a situação para as próximas edições do evento. Para Dom Biasin, a organização dos jovens hoje em dia é muito maior. "Vejo que muitos jovens participam de debates políticos, com analistas sociais e candidatos. Há 10 anos eles não estavam tão presentes como agora."

"Certamente o clima não é um dos mais favoráveis, mas há sinais promissores de despertar no debate sobre a política nas novas gerações. Eles manifestaram uma insatisfação aos modelos existentes", defende o líder católico.

A fraca participação do público no ato em Aparecida não desanima a Igreja. "No ponto de vista da compreensão social dos acontecimentos, hoje se olha muito mais o detalhe, o que acontece na base e menos o que acontece em nível nacional e global", argumenta.

Para o coordenador da romaria de Mauá, falta participação política dos brasileiros. "Se o eleitor tiver mais consciência da importância do seu voto e cobrar mais dos eleitos, teremos um país com mais igualdade."

Com Agência Estado e Agência Brasil

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