Manifestantes bloquearam a avenida Rio Branco e Tropa de Choque da Polícia Militar foi acionada. Presidenta foi recebida com vaias ao chegar para participar de entrega de medalhas da 7ª Olimpíadas de Matemática das Escolas Públicas

Agência Estado

Manifestantes fecharam a avenida Rio Branco e Batalhão de Choque da Polícia Militar precisou ser acionado
Marcelo Piu/ Agência O Globo
Manifestantes fecharam a avenida Rio Branco e Batalhão de Choque da Polícia Militar precisou ser acionado

A presidenta Dilma Rousseff foi recebida nesta segunda-feira (27) com vaias e protestos por cerca de 200 servidores federais ao chegar ao Theatro Municipal, no centro do Rio de Janeiro, para a entrega de medalhas aos vencedores da 7ª Olimpíada de Matemática das Escolas Públicas.

Os manifestantes bloquearam por 20 minutos a Avenida Rio Branco, e o Batalhão de Choque da Polícia Militar foi acionado. Em seu discurso, a presidenta classificou o evento de "festa da meritocracia" - uma das reivindicações de parte dos grevistas é a promoção por tempo de serviço, não por titulação.

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Do lado de fora, um policial foi atingido por um ovo jogado por manifestantes e discutiu com alguns estudantes, o que gerou um princípio de tumulto. Apesar do clima de tensão, não houve confronto.

A participação de Dilma na solenidade não foi divulgada com antecedência na agenda oficial da Presidência e surpreendeu os manifestantes. Sob forte esquema de segurança, a presidenta entrou pela lateral do prédio, em uma passagem bloqueada com grades e tapumes de metal que impediam a aproximação e a visão dos manifestantes.

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O quarteirão inteiro do teatro e parte da praça da Cinelândia foram isolados. Um helicóptero da PF sobrevoava a região enquanto homens do Exército e do Batalhão de Choque da Polícia Militar reforçavam a segurança no entorno do prédio, impedindo a aproximação dos servidores.

Os manifestantes ironizaram a presença ostensiva dos policiais: "Dilma, que papelão! Para vir ao Rio tem que ser com batalhão", gritavam em coro os manifestantes. Eles cobravam da presidenta Dilma mais negociação com as categorias pelo reajuste salarial.

Entre os manifestantes, professores universitários, estudantes, servidores do IBGE, de órgãos vinculados ao ministério da Cultura e do Ministério Público da União (MPU) e do Judiciário federal, entre outros.

Beijos e abraços

Enquanto a situação do lado de fora era tensa, dentro do teatro Dilma dedicou cerca de duas horas aos estudantes vencedores da 7ª Olimpíada de Matemática, competição acadêmica que reuniu 19 milhões de estudantes do ensino fundamental e médio.

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Em clima de festa, a presidenta distribuiu beijos e abraços, deu autógrafos e posou para muitas fotos, em meio aos jovens. Depois, discursou para a plateia, formada, majoritariamente, por pais e parentes orgulhosos, defendendo a necessidade da educação pública e do mérito.

"Neste Brasil de hoje, o que queremos é que o sucesso advenha da meritocracia. E aqui hoje é uma festa da meritocracia, do mérito, de um conjunto de jovens meninas e meninas, por sua capacidade. Ninguém aqui perguntou quem era o pai, quem era a mãe, quanto ganhava. O que estamos vendo é o esforço de cada uma e de cada um ultrapassando as barreiras que a vida impõe a cada um de nós. Mas esse mérito é importantíssimo para todos nós. Esse é o caminho do Brasil".

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A presidenta deixou o teatro por volta das 18h30, quando já não havia manifestantes do lado de fora.

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