Distorção salarial de servidores mostra desigualdade entre líderes sindicais

Principais negociadores dos grevistas ganham entre R$ 3,2 mil e R$ 22 mil e aguardam resposta do governo para pedidos de aumento

Nivaldo Souza -iG Brasília |

Considerado um dos principais interlocutores dos servidores federais em greve, o presidente da Confederação Nacional do Serviço Público Federal (Condsef), Josemilton Costa, lidera a parte de baixo da folha de pagamento de sindicalistas do comando grevista – conforme levantamento da “remuneração básica bruta” feito pelo iG no Portal Transparência Brasil, onde o governo publica seus gastos.

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Agente administrativo da Fazenda e principal negociador dos grevistas com o secretário de relações de trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, o presidente da Condsef é o sindicalista com o menor salário entre as lideranças da greve. Em junho, ele recebeu R$ 3.209,26.

O salário revela a distorção de renda nas diversas camadas do funcionalismo público federal, especialmente no pelotão dividido nas categorias PGPE (Plano Geral de Cargos do Poder Executivo) e PST (Previdência, Saúde e Trabalho), conjunto responsável por 422,8 mil servidores da ativa, aposentados e pensionistas de um total de 1,2 milhão de pessoas na folha de pagamento de R$ 187,8 bilhões da União. A Condsef pediu reajuste de 22,8% para essas categorias – o governo ofereceu 15,8%.

Uma terceira categoria peso-pesado do serviço federal, representada por 182 mil técnicos administrativos de universidades e institutos tecnológicos (117 mil deles na ativa), é liderada pelo professor do Instituto Federal do Espírito Santo Gutenberg de Almeida Nascimento.

O coordenador-geral do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) tem vencimentos mensais de R$ 5.589,76.

Já a bioquímica farmacêutica da Universidade Federal do Espírito Santo Janine Vieira Teixeira, coordenadora-geral da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras (Fasubra), ganha R$ 9.097,05. Ela é a principal representante dos técnicos administrativos em greve, cujo vencimento médio é de R$ 3,5 mil.

Entre os líderes sindicais da educação, a baiana Marinalva Silva Oliveira, presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), tem o melhor vencimento: R$ 11.172,12 por mês. Outros R$ 3.142,16 são repassados a ela como “outras remunerações eventuais” pela coordenação do curso de Pedagogia da Universidade Federal do Amapá. Ao final de um mês de trabalho no Estado com 670 mil habitantes e renda per capita de R$ 11 mil, conforme levantamento de 2010 do IBGE, Marinalva recebe R$ 14.165,77.

O salário da líder da paralisação nas universidades federais é um pouco inferior ao do secretário destacado pelo governo para negociar com os grevistas. Sérgio Mendonça tem remuneração básica bruta de R$ 11.179,36 por mês. Os ganhos dele sobem para R$ 15.591,23 com renda recebida como membro do conselho de administração do Banco do Brasil (R$ 4.411,87 mensais).

Receita e PF: salário na casa dos R$ 20 mil

O mais bem remunerado dos líderes sindicais é Armando Rodrigues Coelho Neto, vice-presidente da Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol), cujo salário mensal é de R$ 21.866,80 pela função de delegado classe especial.

A categoria pede reajuste, segundo o Planejamento, para que o vencimento mensal suba para R$ 26 mil – próximo ao salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal, que ganha R$ 27,3 mil, montante que serve de teto para o funcionalismo.

O delegado Coelho é seguido pelo presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip), Álvaro Solon de França. Ele recebe R$ 21.590,61 por 40 horas semanais de trabalho e pleiteia aumento de 30,19% para sua categoria junto com Pedro Delarue Tolentino Filho, presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita (Sindifisco Nacional), que ganha R$ 19.451,00 por mês.

Corte de ponto: líder sem salário

Na contramão dos companheiros sindicalistas, João Maria Medeiros de Oliveira, presidente do Sindicato Nacional dos Servidores de Agências Nacionais de Regulação (Sinagências), não recebeu nos meses de junho e maio deste ano.

O agente administrativo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) teve o ponto cortado por não comparecer ao trabalho em função da greve que lidera.

A Condsef já sinalizou que irá acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para cancelar o corte de salários autorizado por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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