Planalto irá ceder aumento para servidores com menor salário, mas descarta repasse linear para as 30 categorias paralisadas

O governo já fez as contas de quanto precisaria desembolsar para reajustar os salários dos servidroes federais em greve. Seriam necessários R$ 60 bilhões apenas aos trabalhadores ligados ao Poder Executivo.

Leia também:

Governo negocia com quatro sindicatos

Em semana decisiva, governo muda estratégia para encerrar greve

Apesar de ter feito as contas, o Planalto descarta reajustar linearmente todos os salários. Por ordem da presidenta Dilma Rousseff, o Ministério do Planejamento deverá atender os servidores com salários menores.

Os R$ 60 bilhões ainda não estão decididos pelo Planalto, que deverá cortar caminho abrindo as discussões para negociar novos planos de carreira. A Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) calcula em 60 o número de tabelas com faixas salariais diferenciadas.

A confederação negocia nesta terça-feira (14) um remodelamento das carreiras para equiparar todas as categorias do serviço público federal a cinco cargos que entraram em um nicho diferenciado dentro do serviço público. Essas carreiras - economia, engenharia, arquitetura, estatística e biologia - estão em um patamar mais elevado no serviço público por conta da Lei 12.277/2002, de 2003, que as considera mais estratégicas.

Até 2002, essas carreiras tinham salário inicial de R$ 1.183,00. Hoje, é de R$ 5.460,00 - reajuste de 361,5% (em relação à inflação o aumento real foi de 163,3%). Para servidores em final de carreira, o salário de R$ 1.959,00 saltou para R$ 10.209,00 - aumento de 421% (197,2% de reajuste real). 

A média de salário do servidor público do Executivo é R$ 4 mil. Há 80 mil servidores com nível superior. Apenas 6.158 - dos 582 mil servidores do Executivo - recebem salário diferenciado (1.860 na ativa e 4.298 aposentados). 

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.