Com seca, rio Acre atinge menos de 2 metros de profundidade

Em fevereiro deste ano, a mesma região sofria os efeitos da cheia recorde do rio Acre, que chegou a quase 18 metros

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O rio Acre, que abrange área onde está concentrada a maior parte da população do Estado do Acre, atingiu nesta segunda-feira (13) nível abaixo dos 2 metros. A profundidade constatada pela Secretaria de Meio Ambiente do Acre aumenta o alerta em cidades que já estavam ameaçadas, como Xapuri e Brasileia. Em fevereiro deste ano, a mesma região sofria os efeitos da cheia recorde do rio, que chegou a quase 18 metros .

Antes de depois: Veja imagens da cheia do rio Acre

Roberta Marisa/Depasa Rio Branco
Moradores são orientados para evitar desperdício de água na capital Rio Branco

Na semana passada, o governador do Acre, Tião Viana, decretou situação de emergência nos municípios abrangidos pelo rio em função da redução do nível das águas e da estiagem prolongada na região.

A estiagem vem afetando o Estado há mais de um mês. Na tarde de hoje, foram registradas chuvas fracas na capital Rio Branco e em alguns municípios do interior. “Estamos preocupado porque estávamos sem chuvas há 15 dias. A chuva dos últimos cinco dias foi muito fraca. Há mais de um mês não temos chuva suficiente para reverter o cenário”, disse Carlos Edegard de Deus, secretário de Meio Ambiente do estado.

Durante a inundação do rio, em fevereiro, as águas passaram de 17 metros de profundidade. O cenário atual de 1,96 metros sinaliza uma baixa média de 2 centímetros por dia. “Neste ritmo vai chegar a 1,5 metro, que foi a menor cota dos últimos 40 anos, atingida no ano passado”, disse o secretário.

Para contornar os problemas, como falta de abastecimento de água, o governo do Acre garantiu que está providenciando bombas que serão colocadas dentro do rio para puxar a pouca água que resta e alimentar as estações de tratamento.

Queimadas

Com previsão de chuva na região apenas para outubro, o cenário de estiagem é ainda mais agravado pelas queimadas. Este ano, o governo do Acre proibiu totalmente as queimadas, que começaram a ser restringidas em 2009. A medida não impediu os focos de incêndio e houve aumento do número de ocorrências em relação ao ano passado. Nos primeiros dez dias de agosto, foram registrados quase 300 focos no estado. No mesmo período de 2011, foram identificadas 50 queimadas.

“Os trabalhadores familiares não tem condições de limpar pasto sem fazer queimada”, disse o secretário. A alternativa para esses agricultores seria a mecanização ou a técnica de roçada sustentável, que consiste no plantio de leguminosas que enriquecem o solo e exige a queimada apenas no primeiro ano.

O governo estadual lançou, há dois anos, um programa para estimular a adesão dos agricultores. Mas, segundo o secretário de Meio Ambiente, 90% dos trabalhadores ainda não aderiram. “ É preocupante, porque, embora esteja proibido, eles [agricultores] estão fazendo [queimadas]. Os agricultores estão antecipando as queimadas [para o preparo de áreas de pastagem]”, disse Edegard. Segundo ele, tradicionalmente no estado, as queimadas na zona rural eram feitas entre 20 de agosto e a primeira semana de setembro, quando começam as chuvas.

A região central do Estado é a mais preocupante. O município de Tarauacá, por exemplo, registrou 22 focos de incêndio nas últimas 48 horas, segundo imagens captadas pelo satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No mesmo período, as cidades de Feijó e Cruzeiro do Sul registraram cinco focos de incêndio cada.

Além desta região, o Acre tem ainda registro de focos de incêndio em quatro das 49 áreas protegidas no estado. “[Os focos de incêndios acontecem] porque tem gente morando nestas áreas. Na reserva extrativista Chico Mendes, são 1,8 mil famílias morando em 1 milhão de hectares. No Alto Juruá, são 1,5 mil famílias”, disse Edegard.

A ação do homem é apontada como a principal causa das queimadas nesta época do ano, quando algumas regiões do país sofrem com a falta de chuva, baixa umidade e temperaturas elevadas.

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