'Lenda' do crime em MG, traficante Bozó tinha R$ 1 milhão em apartamento no RJ

Suspeito foi preso na última segunda-feira pela PF em um imóvel luxuoso na Barra da Tijuca. Criminoso tem 70 anos de condenações e é portador do virus HIV

Mario Hugo Monken iG Rio de Janeiro |

Divulgação/Polícia Federal
R$ 1 milhão em dinheiro vivo foi achado em apartamento de luxo de traficante

Considerado uma "lenda" do crime em Juiz de Fora e foragido da Justiça de Minas Gerais desde 2006, o traficante Marcelo José de Morais Pinto, o Bozó, de 41 anos, escolheu o Rio de Janeiro para viver e se esconder da polícia.

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A saga, no entanto, acabou na última segunda-feira (30) quando foi preso em seu apartamento de luxo, na Barra da Tijuca, na zona oeste carioca, por agentes federais mineiros. No local, vivia com a mulher, filhos e a sogra.

Durante a prisão, os policiais se surpreenderam com um detalhe: Bozó guardava em seu imóvel R$ 1.056.488 em dinheiro vivo dentro de gavetas de armários. Tinha também joias e um Hyundai.

Divulgação
Traficante Bozó estava foragido desde 2006 quando fugiu de presídio em Juiz de Fora

Responsável pela prisão, o delegado Humberto Brandão disse que Bozó era o traficante mais procurado de Minas Gerais, tem condenações que somam 70 anos e é portador do vírus HIV. Em 2006, ele fugiu do presídio de Juiz de Fora e, desde então, vinha sendo procurado.

"Ele era uma lenda em Juiz de Fora, um modelo, uma referência. Existe a história de que ele circulava de carro de luxo pela cidade com R$ 200 mil para pagar policiais", contou.

Brandão disse que Bozó procurava viver discretamente no Rio. Ele disse que, nos oito dias em que monitorou o traficante no Rio, ele só saiu de casa uma só vez para levar a filha ao médico, quando acabou preso.

Ligação com o CV

O delegado disse ao iG ter informações de que, no Rio, Bozó se associou a traficantes ligados à facção criminosa Comando Vermelho (CV) para trazer drogas de países vizinhos, como o Paraguai.

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A droga adquirida por ele, principalmente cocaína, segundo Humberto, era vendida em municípios mineiros como Juiz de Fora, Barbacena, Ubá e Matias Barbosa.

Divulgação/Polícia Federal
Prédio onde Bozó morava com a família na Barra da Tijuca

Humberto disse ainda estar levantando as cifras movimentadas por Bozó. Ele revelou ter apreendido no apartamento do traficante anotações com valores altos sobre a aquisição de insumos para misturar com cocaína, como éter e acetona.

O policial afirmou ainda estar apurando também o patrimônio de Bozó. Ele recebeu informações de que o traficante teria outros imóveis no Rio de Janeiro, um deles em Copacabana, na zona sul, e também em Minas Gerais, mas em razão de os bens estarem em nomes de supostos laranjas, a investigação é mais complicada.

O dinheiro apreendido no apartamento de Bozó já foi depositado em juízo. Além do R$ 1 milhão, os agentes federais também encontraram US$ 200.

Flagrante

Divulgação/Polícia Federal
Luxo: joias achadas no apartamento de Bozó, na Barra da Tijuca

Um dos processos em que Bozó é citado na Justiça mineira indica a grande quantidade de drogas com o qual ele trabalhava.

A ação cita uma apreensão feita em 2008, na localidade Parque Jardim da Serra, em Juiz de Fora, em que foram apreendidos cerca de 90 kg de cocaína e R$ 70 mil. Um suspeito ligado a ele acabou preso.

Na época, os policiais responsáveis pela investigação informaram que os criminosos compravam pasta de cocaína por R$ 10 mil e as revendia por R$ 12 mil.

Em nome do comparsa de Bozó preso, estavam dois imóveis na cidade de Cabo Frio, na Região dos Lagos, que foram sequestrados por determinação da Justiça. Em um deles, havia um jet ski.



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