Protesto de caminhoneiros afeta entregas dos Correios e abastecimento no Rio

Serviço de entrega expressa dos Correios está prejudicado em Minas Gerais, São Paulo e Rio. Moradores do Rio de Janeiro começam a sentir o desabastecimento na alta dos preços

iG São Paulo |

Os protestos dos caminhoneiros nas rodovias do País começam a afetar serviços em alguns Estados do Brasil. Segundo o presidente da Associação dos Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj), Aylton Fornari, a manifestação deve começar a afetar o abastecimento dos supermercados do Rio de Janeiro a partir desta quarta-feira (1º). Já o serviço de entrega expressa dos Correios nos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, já são prejudicados.

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A ação do movimento grevista, que reivindica mudanças na lei que regula a jornada de trabalho para motoristas, também atrapalha os serviços de entrega de cargas não urgentes com destino ao Nordeste.

Por meio de nota, os Correios informaram que os impactos nas operações de transporte de cargas são causados pelo bloqueio das estradas, pois a empresa "não utiliza caminhoneiros autônomos para o transporte de carga postal".

A estatal esclareceu que, até o momento, os maiores danos à operação vêm ocorrendo nas rodovias Fernão Dias (km 513 e 589) e Presidente Dutra (km 276), que interligam São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

"Os Correios estão adotando todas as medidas possíveis para minimizar os impactos, como, por exemplo, o encaminhamento da carga urgente por via aérea", informou a estatal por meio de nota.

Os caminhoneiros querem prazo de um ano para nova lei entrar em vigor. O governo diz que discutirá com caminhoneiros somente após liberação de rodovias Manifestação de caminhoneiros atinge 12 estados, diz entidade.

Desabastecimento no Rio de Janeiro

Com milhares de caminhões parados na Via Dutra há três dias, o Rio de Janeiro começa a sofrer desabastecimento de alguns produtos alimentícios. O mais afetado é a batata. De acordo com o engenheiro agrônomo Antônio Carlos dos Santos Rodrigues, chefe da divisão técnica da Central de Abastecimento do Rio de Janeiro (Ceasa), cerca de 100 caminhões de batata deveriam ter chegado nesta segunda-feira (30), mas apenas 35 conseguiram descarregar na central. Como consequência, o preço da saca de 50 quilos (kg), que custava cerca de R$ 40 na semana passada, subiu para R$ 100 ontem e hoje (31).

“O mercado é de oferta e procura. Se cai a oferta do produto, o preço sobe, se aumenta a oferta, o preço desce, então, como houve a redução da oferta de batata, o preço acabou subindo”, disse.

Paulo Dimas/Futura Press
Fila de caminhões pode ser vista nesta manhã na rodovia Presidente Dutra, no Rio de Janeiro

De acordo com Rodrigues, os caminhões de batata que conseguiram chegar ao Rio de Janeiro hoje vieram de Minas Gerais e fizeram rotas alternativas pela Rodovia BR 040, que passa por Juiz de Fora. Outros produtos afetados foram a laranja-pera, que subiu de R$ 20 para R$ 30 a caixa de 25 kg e o limão-taiti, que passou de R$ 25 para R$ 45.

O engenheiro agrônomo aconselha o consumidor a comprar verduras que são produzidas no Estado, e, portanto, não foram afetadas pelo bloqueio na Via Dutra, como alface, agrião, chicória, couve e couve-flor. O aipim ou mandioca podem substituir a batata. Frutas que vem do Nordeste também estão chegando normalmente ao Rio, como melão, mamão e abacaxi.

O presidente da Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj), Aylton Fornari, diz que o desabastecimento vai afetar todos os produtos, não só os hortifrutigranjeiros. De acordo com Fornari, o quadro é assustador, já que hoje os pátios ficaram vazios de caminhões.

“Amanhã com certeza alguma coisa vai começar a faltar em alguns supermercados, porque os supermercados não trabalham mais com estoque grande. Isso se fazia na época da inflação muito grande, quando os supermercados compravam em grande quantidade para ver se conseguiam preços melhores. Agora não é mais assim, as coisas vão chegando, vão para o depósito e já voltam para a loja. Se não chegar mercadoria até esta noite de madrugada, amanhã o cliente já vai começar a sentir falta de alguns produtos”.

* Com Valor Online e Agência Brasil

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