Governo e caminhoneiros entram em acordo e greve é suspensa

Governo e caminhoneiros vão manter a negociação sobre medidas de regulamentação da profissão. Os protestos, que bloquearam várias estradas do País, serão encerrados

iG São Paulo | - Atualizada às

A greve dos caminhoneiros que completaria uma semana na quarta-feira (01) foi suspensa após o governo entrar em acordo com a categoria nesta terça-feira, aceitando discutir as principais reivindicações dos motoristas, disse o ministro dos Transportes, Paulo Passos. A desocupação das estradas foi acertada mediante compromisso do governo de sentar à mesa de negociações a partir do dia 8 de agosto, pelo prazo de 30 dias.

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AE
Caminhoneiros que ocupam a Dutra começam a vender suas cargas no terceiro dia de greve na rodovia que liga o Rio a São Paulo

As manifestações bloquearam algumas rodovias do País e afetou o transporte de produtos industriaiss agrícolas e entregas dos Correios .

"Todas as reivindicações cabíveis serão examinadas e todos os aperfeiçoamentos propostos serão analisados com cuidado", disse o ministro após a reunião com representantes do Movimento União Brasil Caminhoneiros (Mubc).

Passos informou que durante as negociações, a fiscalização da jornada de trabalho terá caráter educativo. O protesto de caminhoneiros é contra uma nova lei que exige um intervalo de descanso mínimo de 11 horas a cada 24 horas. Embora determine um maior descanso, a medida também reduzirá o rendimento dos caminhoneiros.

Entre pontos que também serão discutidos com o setor estão o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Carga (RNTRC), que teria aberto o mercado para uma "concorrência desleal" e uma defasagem dos preços do frete; e o regulamento do Pagamento Eletrônico do Frete (PEF), que teria sido responsável por queixas recorrentes contra a operadora financeira responsável pelos trâmites.

Protestos

No sétimo dia de protestos pelo país, os caminhoneiros promoveram dezenas de bloqueios – a maioria deles parciais – em rodovias federais e estaduais da região Sul e no Rio de Janeiro. Pelo menos 20 trechos de estradas foram fechados pelos manifestantes no Paraná, oito em Santa Catarina e seis no Rio Grande do Sul. A via Dutra, foi a principal via afetada no Rio.

Entre as rodovias federais afetadas hoje por bloqueios nos três estados da Região Sul estão as BRs-101, 153, 158, 163, 277, 282, 285, 369, 376, 386, 392, 467, 472, 480 e 487. Nos últimos dias, houve várias ocorrências de apedrejamento durante as manifestações. Uma pessoa morreu ontem (30), durante um bloqueio no interior do Paraná.

Ainda não há relatos de desabastecimento de produtos na região, mas o atraso na entrega das cargas pode estar setores específicos. "Estimamos que pelo menos 30% das cargas estão represadas em estradas ou mesmo nas garagens de nossas empresas ou clientes", diz Silvano. "Os autônomos representam de 20% a 35% dos caminhões do país, e a falta desses veículos já é sentida no mercado".

Com Reuters e Agência Brasil

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