Segundo a Polícia Federal,  apenas um dos investigados movimentou quantia superior a US$ 3 milhões em apenas 75 dias, na Nigéria

A Polícia Federal (PF) desarticulou nesta quinta-feira uma quadrilha de tráfico internacional de drogas liderada por nigerianos e que enviava cocaína a África, Europa, Ásia e Estados Unidos. A operação contou com a participação de 150 agentes e tinha como objetivo prender os 39 membros da quadrilha.

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Segundo a PF, a investigação começou após a prisão em flagrante, por tráfico internacional de 4,7 kg de cocaína, de uma cidadã marroquina no aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo. Ela foi absolvida ao final do processo criminal por ter alegado inocência, negando ser sua a mala apreendida com a droga, que supostamente teria sido trocada no aeroporto. Apesar dessa alegação, constatou-se mais tarde sua ligação com o principal integrante da organização criminosa investigada, um nigeriano, que a havia recrutado para transportar a cocaína apreendida.

A organização criminosa era comandada por nigerianos residentes no Brasil que recrutavam pessoas, conhecidas como “mulas”, para transportarem cocaína em vôos comerciais destinados a Europa, Ásia e África. Parte da droga remetida ao continente africano tinha como destino final os Estados Unidos.

As “mulas” eram aliciadas na Europa e na África e no Brasil, principalmente na região central da capital paulista. As “mulas” recebiam entre US$ 5 mil e US$ 8 mil dólares. A cocaína era transportada escondida em bagagens ou sob as roupas e ainda em forma de grandes cápsulas que eram engolidas.

Os líderes da organização criminosa não possuem bens, móveis ou imóveis declarados no Brasil. Constatou-se que todo o lucro obtido com a exploração do tráfico internacional de drogas era enviado, de modo ilegal, à Nigéria para ser investido no mercado imobiliário, principalmente. Apenas um dos investigados movimentou quantia superior a uS$ 3 milhões em apenas 75 dias.

No curso da investigação, que contou com importante apoio da Polícia Militar do estado de São Paulo, foram presas em flagrante 34 “mulas” e apreendidos mais de 70 quilos de cocaína.

Os investigados responderão pelos crimes de tráfico internacional de drogas, associação criminosa, financiamento do tráfico, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, cujas penas máximas somadas superam 60 anos de prisão. Caso condenados pela Justiça, os estrangeiros poderão ser expulsos do país após o cumprimento da pena e não mais poderão retornar.

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