Manifestantes partiram da catedral e marcharam para a Praça dos Três Poderes, seguindo depois, em passeata, até o Ministério do Planejamento

Agência Brasil

Servidores federais em greve fizeram nesta quarta-feira manifestação na Esplanada dos Ministérios. Eles saíram em passeata, que foi intitulada de "Chega de enrolação! Negocia, Dilma!" e organizada pelo Fórum Nacional das Entidades dos Servidores Públicos Federais, composta por 33 associações sindicais. Segundo a Polícia Militar, mais de 10 mil pessoas integraram a marcha.

Leia também:
Entidade calcula que 30 órgãos federais estejam paralisados no País
Governo precisa destravar negociações com servidores federais, diz CUT
Operação-padrão tem adesão de 90% dos defensores públicos federais
Governo manda cortar o ponto de servidores federais em greve
Governo propõe reajuste e novo plano de carreira a docentes de federais

Policiais acompanham a marcha dos grevistas, de vários setores do funcionalismo público, na Esplanda de Ministérios, nesta quarta-feira
Agência Brasil
Policiais acompanham a marcha dos grevistas, de vários setores do funcionalismo público, na Esplanda de Ministérios, nesta quarta-feira

Entoando gritos de guerra, carregando faixas e bandeiras e vestindo camisetas com mensagens de protesto, os manifestantes partiram da catedral e marcharam para a Praça dos Três Poderes, seguindo depois, em passeata, até o Ministério do Planejamento. O trânsito nas seis faixas da Esplanada dos Ministérios, dos dois lados, foi fechado e teve que ser desviado para vias alternativas.

O movimento contou com a participação de servidores da educação, saúde, agências reguladoras e outras instituições. Entre as principais reivindicações, estão o reajuste salarial e melhores condições de trabalho. “Essa manifestação é uma luta para a valorização dos servidores. Nos mobilizamos devido à intransigência do governo, que dá prioridade a outros gastos e não se importa com o serviço público. Até agora, só foi oferecida uma proposta à Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior [Andes]. As outras categorias ainda aguardam propostas. Vamos manter a paralisação até que haja uma negociação que satisfaça às nossas reivindicações", disse o dirigente nacional da Central Sindical e Popular Conlutas (CSP-Conlutas), José Maria de Almeida.

O servidor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Arthur Yamamoto, acredita que o governo esteja usando o discurso de crise econômica e impacto orçamentário para não ceder nas negociações, deixando o funcionalismo público de lado. "Os servidores das agências reguladoras não recebem aumento salarial desde 2008. O Sinagências e o Mpog [Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão] fazem reuniões desde dezembro do ano passado e nada foi decidido. Por isso entramos em greve. Reivindicamos a recomposição salarial, equiparação com cargos de carreira típica de Estado e a remuneração por subsídio. Muitos desses itens não têm um impacto orçamentário", pontuou Yamamoto.

“A luta do servidor é para a sociedade como um todo. Lutamos por melhorias na estrutura e pelo não sucateamento dos órgãos públicos. As conquistas que obtivermos vão refletir em melhorias no atendimento à população", disse a servidora da Funasa, Carla Berberick.

Estudantes de várias instituições também participaram da manifestação. “Nós aguardamos por uma resposta do governo sobre este protesto. Apoiamos a greve não só pelos professores, mas para que tenhamos melhor estrutura nas instituições de ensino e maior qualidade na educação”, disse Leonidas Canuto, de 17 anos.

“Viemos chamar a atenção da [presidenta] Dilma para que as reivindicações dos servidores e dos estudantes sejam atendidas. Queremos uma educação de qualidade”, ressaltou Ítalo Cardoso, de 17 anos. Ambos são estudantes do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), que está há um mês sem aula por causa da greve.

"Mais de mil estudantes estão aqui. Mais uma vez exigimos a negociação das pautas. A educação precisa melhorar", criticou Luiza Carreiro, estudante de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sem aulas desde o dia 17 de maio, quando foi iniciada a paralisação dos docentes dos institutos federais. Luiza Carreiro queixa-se ainda da falta de estrutura do campus e alega que há poucos professores para muitos alunos.

Segundo o professor da Universidade Federal do Espírito Santo, Mauro de Carvalho, a proposta oferecida pelo Ministério do Planejamento à Andes não atende às reivindicações pautadas pela categoria. “Viemos forçar o governo a fazer a negociação com os sindicatos, o que ele está se negando. A proposta oferecida pelo Planejamento para a Andes é baseada em aumento salarial. Já a pauta apresentada pelo sindicato é baseada na reestruturação da carreira dos docentes e em melhores condições de trabalho. Além disso, lutamos contra a expansão do ensino sem as condições adequadas", disse.

Mauro de Carvalho conta ainda que os professores não têm reestruturação da carreira desde 1982. “Este ano, a greve dos servidores federais é o acontecimento mais importante no país. Afinal, só na educação, 57 das 59 universidades federais estão em greve; além de 95% dos institutos federais e os Cefets [Centros Federais de Educação Tecnológica]", conta.

Segundo o secretário-geral do Sindicato dos Servidores Federais (Sindsep-DF), Oton Pereira, a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) tem uma reunião agendada no Ministério do Planejamento. “Na reunião de hoje, o governo vai ter outra oportunidade de acabar com a greve dos órgãos do Poder Executivo federal”, avaliou. Segundo o secretário, cerca de 350 mil servidores estão em greve em todo o país.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.