Trabalhadores com deficiência são 23,6% do total de pessoas ocupadas, diz Censo

Segundo o IBGE,  20,3 milhões de pessoas que declararam ter alguma deficiência tinha uma ocupação em 2010

iG São Paulo |

O Censo revelou que o Brasil tinha 45.606.048 pessoas que diziam apresentar pelo menos uma deficiência em 2010 , o que representa 23,9% da população brasileira. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítica (IBGE) nesta sexta-feira, desses mais de 45 milhões, 20,3 milhões tinha uma ocupação.

Em 2010, a população ocupada com pelo uma das deficiências investigadas - visual, auditiva, motora e mental - representava 23,6% (20,3 milhões) do total ocupados (86,3 milhões). Das 44 milhões de pessoas com deficiência em idade ativa (10 anos ou mais), 53,8% (23,7 milhões) estava desocupada ou não era economicamente ativa.

Fabrizia Granatieri
Brasileiros superam deficiências para trabalhar

Considerando a posição na ocupação e categoria de emprego, constatou-se que a maioria das pessoas com alguma deficiência ocupadas era empregada com carteira assinada (40,2%), uma diferença de 9 pontos percentuais em relação à população sem nenhuma das deficiências investigadas (49,2%).

Os percentuais de trabalhadores com deficiência por conta própria (27,4%), sem carteira (22,5), militares e funcionários públicos estatutários (5,9%) e não remunerados (2,2%) são maiores do que na população sem deficiência (20,8%, 20,6% e 5,5%; 1,7%, respectivamente) e na categoria empregador, a diferença foi de 0,3 ponto percentual entre a população sem (2,1%) e com (1,8%) deficiência.

Rendimento

Em relação ao rendimento mensal, 46,4% das pessoas com pelo menos uma das deficiências investigadas ganhavam até um salário mínimo ou não tinham rendimento, nove pontos percentuais a mais que a população sem qualquer dessas deficiências (37,1%). As diferenças por existência de deficiência diminuem nas classes mais altas de rendimento.

Ao adicionar a essa análise o tipo de deficiência, constatou-se que, para as pessoas ocupadas com deficiência mental e motora, o maior percentual se encontrava nas classes de mais de meio a um salário mínimo de rendimento de trabalho (27,6% e 28,7%, respectivamente). Já a maior parte da população com deficiência visual e auditiva concentrava-se na classe de 1 a 2 salários mínimos: 29,0% e 28,4%, respectivamente.

Desigualdade de gênero

Segundo o IBGE, para analisar a inserção da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, utilizou-se como indicadores a taxa de atividade, que é o percentual de pessoas economicamente ativas na população de 10 ou mais anos de idade; e o nível de ocupação, que é o percentual de pessoas de 10 anos ou mais ocupadas na semana de referência.

Nos dois indicadores, a condição de deficiência como fator limitante à inserção no mercado de trabalho atinge mais a população feminina do que a masculina: a taxa de atividade foi de 60,3% para os homens contra 41,7% para as mulheres com pelo uma deficiência, uma diferença de 18,6 pontos percentuais. Já em relação ao nível de ocupação, a diferença foi de 19,5 p.p: 57,3% para os homens contra 37,8% para as mulheres.

Em relação à taxa de atividade por tipo de deficiência, a deficiência mental foi a que mais limitou a inserção no mercado de trabalho, tanto para homens como para mulheres (cujas taxas de atividade foram de 22,2% e 16,1%, respectivamente). A deficiência visual foi a que menos influenciou na taxa de atividade, que ficou em 63,7% para os homens e 43,9% para as mulheres. O mesmo foi observado para o nível de ocupação, que, no geral, ficou em 17,4% para pessoas com deficiência mental e 48,4% para pessoas com deficiência visual.

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