Mulher de “senhor das armas” brasileiro também foi presa por tráfico pela PF

Patrícia Santos do Nascimento guardava US$ 111 mil que seriam usados no pagamento das Farc e de aviões fretados para transportar drogas

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

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Mulher de Coracy, o "senhor das armas", Patrícia Santos também foi presa por tráfico
A comerciante de jóias Patrícia Santos do Nascimento, mulher do “senhor das armas” brasileiro Coracy Vilhena dos Santos, também foi presa pela Polícia Federal no Amazonas, na Operação Diamante, em 2002, sob suspeita de tráfico de drogas e armas.

Na residência do casal, em Manaus, foram apreendidos US$ 111 mil, em dinheiro.

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O iG revelou nesta terça (12) que Coracy é o principal nome do País nesse comércio ilegal, atua há 20 anos trocando armas por drogas com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e distribuindo cocaína para Guiana e Suriname, tendo tido como parceiros Fernandinho Beira-Mar e Leonardo Dias Mendonça.

Embora pouco conhecido no Brasil, ele integrou a lista suja da presidência dos EUA (Kingpin Act) e teve alerta de difusão vermelho da Interpol (nível máximo). Preso em 1999 e condenado a 7 anos e seis meses de prisão e multa por tráfico internacional, Coracy está solto por habeas corpus do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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US$ 111 mil apreendidos com Patrícia seriam para alugar avião e pagar impostos às Farc

Patrícia, sua mulher, foi detida em flagrante em 2002, acusada de integrar o esquema de tráfico de drogas e armas do marido e do traficante Leonardo Dias Mendonça.

Ela seria comparsa do marido e guardava na residência do casal, em Manaus, cerca de US$ 111 mil dólares em dinheiro, que pertenceriam ao compadre do casal Emival Borges, conhecido como Goiano. O montante estaria na residência dela enquanto Goiano fazia uma viagem ao exterior.

A prisão foi feita a partir de escutas ambientais instaladas pela Polícia Federal na casa onde morava com Coracy. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, o dinheiro seria usado para pagar aviões fretados para transportar drogas e para “impostos" das Farc.

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Justiça quebrou sigilos bancário e fiscal de mulher e cunhada de Coracy

Ela e sua irmã, Sílvia, tiveram os sigilos bancário e fiscal quebrados, por ordem da Justiça Federal no Amazonas.

A operação da PF investigava a rede do traficante Leonardo Dias Mendonça, aliado de Coracy e apontado como um dos maiores traficantes do País. Leonardo foi denunciado por tráfico internacional de drogas, crime organizado e lavagem de dinheiro.

Desde sua prisão, Patrícia pediu habeas-corpus no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (sede em Brasília) tentando revogar a prisão, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Todos foram negados.

Em pedido de HC, comerciante de jóias negou ter relação com tráfico

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Coracy atua com as Farc e era parceiro de Leonardo Mendonça e Beira-Mar
Inicialmente ela recorreu ao TRF-1. A comerciante afirmou desconhecer a origem e o destino do dinheiro apreendido em sua casa, alegou não ter ligação com o tráfico de drogas e armas e disse que o fato de guardar o dinheiro em sua casa demonstra sua negligência.

Ela argumentou que se tivesse de fato participação no crime, guardaria o dinheiro em outro lugar, onde não pudessem encontrar, evitando o flagrante. Patrícia Santos afirmou que sua prisão teria ofendido o princípio da presunção da inocência e que foi vítima do “entusiasmo” da Polícia Federal com a Operação Diamante.

Em fevereiro de 2003, o vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Edson Vidigal, manteve novamente a prisão de Patrícia Santos do Nascimento.

Em novo pedido de habeas corpus, dessa vez feito ao Supremo Tribunal Federal (STF), em junho de 2004, Patrícia volta a alegar, sem sucesso, que a presença do dinheiro em casa evidenciaria a sua “absoluta isenção", “caso contrário, guardaria o dinheiro em outro local”.

O iG conseguiu contato nesta terça (12) com o advogado Antônio José Dantas Ribeiro, que atuou na defesa de Coracy e de Patrícia no STJ, mas ele afirmou não defender mais os dois. A reportagem não localizou Coracy nem seus novos advogados.

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