Justiça realiza primeira audiência de acusados de estupros em festa na Paraíba

Juíza deve ouvir vítimas, acusados e testemunhas em audiência de instrução do estupro coletivo realizado durante uma festa de aniversário em Queimadas, no agreste paraibano

iG São Paulo |

Começou pouco depois das 8h desta segunda-feira (4) a primeira audiência do caso do estupro coletivo durante uma festa de aniversário na cidade de Queimadas , no agreste da Paraíba, a 140 quilômetros de João Pessoa, em fevereiro deste ano.

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A juíza Flávia Baptista Rocha deve ouvir 19 pessoas, entre elas as três mulheres que também foram estupradas e sobreviveram, e os três adolescentes detidos que teriam participado do crime. Na ocasião, duas mulheres teriam sido mortas após estupros premeditados cometidos durante a festa de aniversário de um dos dez acusados .

Os outros sete acusados não foram a audiência por motivo de segurança. Eles estão detidos no presídio de segurança máxima PB1, em Jacarapé, onde ocorreu uma rebelião na semana passada.

Condecoração

Divulgação
Famílias das mulheres mortas durante condecoração dos policiais que prenderam os acusados

O governador Ricardo Coutinho condecorou com a medalha de serviços distintos, no último sábado (2), 26 policiais militares que prenderam os dez suspeitos do crime. Isânia Petrúcia, irmã de Izabela Pajuçara, falou em nome das famílias das vítimas. Ela disse que o momento era de tristeza, mas fez questão de agradecer o trabalho das polícias.

“Minha irmã Izabella tinha passado no concurso, um retorno da constante luta por uma vida melhor. Tinha curso superior de Química e Matemática, especialista em Meio Ambiente e Mestra em Engenharia Química. Corria atrás de seus ideais e, quando alcançou, tiraram sua vida de forma brutal, deixando marcas insuperáveis na vida da família e amigos”.

Em relação à Michelle, também ressaltou que era uma mulher batalhadora, que ajudava a família. “Todos nós estamos sofrendo muito e agradecidas aos policiais pela ação rápida para prender seus algozes”.

Por fim, destacou que eram duas jovens que tinham sonhos a alcançar. “Apenas Deus merecia tirar a vida delas. Nós estamos aqui clamando por justiça para que, da mesma forma que veio a acontecer com elas e as outras, as pessoas reflitam a questão da violência sexual contra a mulher”, concluiu Isânia.

O caso

Cinco mulheres foram estupradas após uma festa de aniversário em uma casa no centro da cidade de Queimadas. Após o estupro, duas delas foram mortas a tiros. Alguns dias depois, a polícia da Paraíba prendeu dez homens, entre eles três adolescentes, acusados de envolvimentoo.

Os crimes chocaram os cerca de 40 mil habitantes da cidade. A primeira versão dava conta de que cinco homens encapuzados teriam invadido a casa, amarrado e trancado todos os homens em um quarto e estuprado todas as mulheres.

No início das investigações, a polícia desconfiou da participação dos donos da casa nos crimes, os irmãos Eduardo e Luciano dos Santos Pereira, que foram presos no velório das duas mulheres estupradas e mortas. A polícia descobriu que os crimes teriam sido premeditados e que os estupros teriam sido 'um presente' de Eduardo para Luciano, o irmão aniversariante.

Segundo o superintendente da 2ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Campina Grande, André Rabello, o crime teria sido planejado pelos irmãos na manhã do último sábado. Luciano pediu ao irmão que atraísse as mulheres para a festa.

De acordo com a delegada Cassandra Duarte, as duas mulheres mortas - a recepcionista Michele Domingos da Silva, 26 anos, e a professora Isabela Pajussara Frazão Monteiro, 28 anos - eram amigas dos irmãos que organizaram a festa. Michele foi assassinada na lateral da igreja matriz de Queimadas, no centro da cidade.

Ela foi morta a tiros após se jogar de uma caminhonete em movimento. Michele foi socorrida ainda com vida, mas morreu a caminho de um hospital de Campina Grande. Isabela foi encontrada morta, nua, numa comunidade rural a dois quilômetros da cidade. Ela estava com os pés e mãos amarrados, olhos vendados e a boca amordaçada com uma meia. O corpo estava na carroceria da caminhonete.

Segundo a polícia, Isabela e Michele foram assassinadas porque identificaram os estupradores. Outras mulheres foram preservadas por serem esposas dos dois irmãos acusados.

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